Foi uma boa tentativa, mas não deu certo. Essa é a avaliação de Giuliano Losacco (Medley) sobre o defletor que os carros da Stock Car vêm carregando no teto desde a etapa de julho em Curitiba. Criado com o propósito de facilitar as ultrapassagens nas retas, o apêndice aerodinâmico foi reprovado em seu grande teste neste domingo na prova de Brasília, disputada no anel externo do Autódromo Nelson Piquet. “Simplesmente não funciona e não serve para nada. Acho que deveria ser retirado para a corrida do fim da semana que vem em Santa Cruz do Sul”, reivindica o atual campeão.
Losacco acha que pôde constatar melhor do que ninguém a ineficiência da peça. Segundo colocado no grid, passou as 43 voltas atrás do pole e vencedor Cacá Bueno sem que o defletor justificasse a sua existência. “Ele não cria vácuo algum. Quando saía de trás para tentar ultrapassá-lo, o carro perdia velocidade. Com os longos trechos de reta do circuito, não havia local melhor para checarmos se haveria mesmo troca de posições. Como eu já imaginava, se não funcionou em Brasília é porque não vai funcionar em nenhuma outra pista. Acho que já está na hora de arrancá-lo“, sugere.
Com o segundo lugar, Losacco conservou a terceira posição no campeonato e reduziu para apenas 11 pontos a diferença que o separa do vice-líder Hoover Orsi – 71 a 82 -, enquanto Cacá segue tranqüilo na ponta da tabela com 121. Mas disse que, se o resultado foi bom para confirmar a ascensão da equipe Medley, a 7a etapa serviu também para jogar luzes sobre o atual sistema de largada lançada, introduzido depois das primeiras provas deste ano. “Quando os carros partem em movimento, a chance de ultrapassar na largada deixa de existir. Em Brasília, o Cacá largou na parte suja da pista e eu na limpa, mas não pude aproveitar essa possibilidade”, lembra.
Na opinião de Losacco, a largada estática evita incidentes como o registrado na Capital Federal neste domingo. “O Antonio Jorge Neto, terceiro no grid e portanto atrás do Cacá, grudou tanto no pole que bateu repetidas vezes na traseira e avariou o extrator. A intenção dele era evitar que eu fizesse a tomada por dentro na primeira curva. Só consegui espaço porque meio que joguei o carro para a direita quando o Cacá deu uma reacelerada. Com os carros parados isso não seria necessário.”
Por fim, Losacco também manifestou estranheza com a direção da prova no procedimento de relargada depois da quarta intervenção do safety car. “Nas três primeiras, o piloto do safety car apagou a luz na curva três e entrava nos boxes; na última, ele simplesmente jogou o carro para a grama e a corrida foi reiniciada. Como a Stock Car gosta tanto do modelo norte-americano, bem que poderia fazer como nos Estados Unidos, onde o diretor de prova aponta com o dedo no posto de sinalização que a corrida será reiniciada na volta seguinte. Em Brasília, quase o Neto tomou meu segundo lugar por causa disso; o Guto Negrão, que vinha fazendo uma prova excelente, foi envolvido em acidente e perdeu talvez um lugar no pódio pelo mesmo motivo.“