As corridas de automóveis sempre atraíram as pessoas no mundo todo, sendo uma pista de teste para as marcas, que desenvolveram projetos e motores ao longo dos anos. No Brasil, existia a famosa divisão 3, que reunia Dodge, Opala e Maverick em acirrados “pegas” nos finais de semana.
A idéia de uma categoria monomarca, que colocasse os carros no mesmo patamar, foi crescendo ao longo da década de 70 e culminou com a criação da Stock Car em 1979. O carro escolhido para a disputa foi o Opala, com seu famoso motor 4,1 litros, de 270 cavalos, que reinou soberano nas pistas por 14 anos e revelou grandes pilotos do automobilismo nacional, dentre eles Ingo Hoffmann, maior campeão da categoria com 12 títulos, entre outros, que escreveram sua história nas pistas brasileiras.
Em 1993, a categoria aposentou o Opala e passou a utilizar o Omega, recém-lançado no país, que utilizava a mesma motorização, mas com um aumento considerável de potência, passando a contar com 340 cavalos.
Durante sete anos o modelo brilhou nas pistas sofrendo várias críticas pela utilização do confiável mas arcaico propulsor de 4,1 litros, que contava com 32 anos de mercado na época. O chassi utilizado pela GM era o mesmo do Omega de rua, com monobloco adaptado.
O ano de 2000 marcou uma verdadeira revolução na categoria. A GM apostou na mudança para o Vectra e acertou em cheio, com a popularização das provas em todo o país. O novo carro trazia no início, o mesmo propulsor, mas inovava com o chassi tubular próprio e carenagem de fibra de vidro, que davam mais segurança aos pilotos. Um ano mais tarde foi adotado o inédito motor 350 V8, com carburador quadrijet e 450 cavalos de potência, fazendo com que a categoria mudasse de nome, passando a se chamar V8 Stock Car.
O motor V8 trouxe marcas respeitáveis aos bólidos, com a máxima de 270 km/h no final da reta, criando a necessidade, inclusive, de reforma em alguns autódromos, para garantir a segurança. A estabilidade foi garantida por rodas de aro 18, que, além do irresistível apelo estético, deixavam o carro grudado no chão. Essas mudanças fizeram com que as corridas se tornassem mais disputadas, atraindo mais de 10 mil pessoas em cada prova realizada.
Após quatro anos de disputas, uma nova mudança balançou novamente a categoria. Agora era a vez do Vectra sair de cena, deixando o espaço para o Astra, contando com a mesma estrutura de seu antecessor. A categoria principal conta com motores V8 de 450 cavalos, enquanto que a Light, com propulsores de 350 cavalos.
A Stock Car comemorou 25 anos em 2004 com muita festa. A idéia de uma categoria monomarca fez tanto sucesso que hoje em dia é uma das mais disputadas do país, com tecnologia, segurança e acima de tudo o profissionalismo de pilotos que fazem de cada prova um show à parte.
Renato Bellote Gomes, 25 anos, é bacharel em Direito