Em final dramático, Ferrari vence em Le Mans. Brasileiro Farfus vai ao pódio na GT3

A 92ª edição das 24 Horas de Le Mans foi histórica e premiou o fã do automobilismo com uma corrida eletrizante e um desfecho dramático no Circuit de la Sarthe. Quarta etapa da temporada 2024 do FIA WEC, a mais clássica prova de resistência do esporte a motor mundial coroou a Ferrari AF Corse, pela segunda vez consecutiva, com a vitória na classe principal, a Hypercar. Depois de enfrentar um problema com a porta do 499P #50 nas horas finais, Nicklas Nielsen teve de fazer uma parada não programada nos boxes e correu poupando combustível. No limite, o dinamarquês cruzou a linha de chegada na frente, fazendo a festa ao lado dos parceiros Antonio Fuoco e Miguel Molina. Foi a 11ª vitória da Ferrari na categoria principal em Le Mans.

A segunda colocação na prova ficou com a Toyota Gazoo Racing. O trio do GR010 Hybrid #7, formado pelo chefe de equipe Kamui Kobayashi, Nyck de Vries e José María “Pechito” López ficou perto e flertou com a vitória em vários momentos da prova para finalizar na segunda posição, a 14s221 do conjunto vencedor.

A classe GT3 teve como vitoriosa a Manthey EMA, equipe da Porsche na categoria. O conjunto formado por Richard Lietz, Morris Schuring e Yasser Shahin protagonizou as atividades na metade final da prova e confirmou a segunda vitória na temporada. O brasileiro Augusto Farfus cruzou a linha de chegada na segunda posição com a BMW M4 LMGT3 do Team WRT, faturando assim seu primeiro pódio em Le Mans, ao lado de Sean Gelael e Darren Leung. O triunfo na categoria LMP2 ficou com a United Autosports e o protótipo #22, pilotado por Oliver Jarvis, Bijoy Garg e Nolan Siegel.

Passadas as emoções das 24 Horas mais famosas do automobilismo mundial, agora é a vez do Brasil. O “espírito de Le Mans” voltará ao país depois de dez anos com a disputa da Rolex 6 Horas de São Paulo, evento que acontece em Interlagos entre 12 e 14 de julho e marca a quinta etapa da temporada 2024 do FIA WEC. Os ingressos estão à venda.

Chuva e muitas interrogações — Desde a largada, dada com a bandeira francesa pelo campeão mundial de futebol Zinedine Zidane, até a volta final, as 24 Horas de Le Mans foram repletas de emoções e com um cenário completamente indefinido nas três categorias em disputa.

A Hypercar teve uma grande alternância de carros na primeira colocação. Se nas primeiras horas a ponta ficou com a Ferrari 499P #50, o protótipo italiano #83 da AF Corse surpreendeu e assumiu a dianteira. Mas a Ferrari privada causou um incidente que resultou na batida da BMW #15, provocou longa intervenção do safety car para reparos na guard-rail e levou 30s de punição. Assim, a Toyota tirou proveito e passou para a ponta com o GR010 Hybrid #8, seguido pelo Porsche 963 #6 da Porsche Penske Motorsport.

Durante o período noturno e o início da manhã na França, a prova teve pouco mais de quatro horas de intervenção do safety car em razão da forte chuva na região do Circuit de la Sarthe. Com bandeira verde, a Toyota manteve a liderança, mas a prova passou a ser marcada por muitas estratégias diferentes, o que provocou mudanças na primeira colocação: a Porsche #6, a Ferrari #50 e até o Cadillac V-Series.R #2 lideraram a corrida.

A classe GT3 também mostrou ter muitos candidatos à vitória. Nas primeiras horas, despontaram o conjunto então líder do campeonato, a Manthey Pure Rxcing com o Porsche 911 #92, e a BMW M4 LMGT3 #46 do Team WRT, que tem entre seus tripulantes Valentino Rossi, que chegou a liderar a corrida. Quem também liderou foi a Lamborghini da Iron Dames, equipe formada somente por mulheres, assim como a McLaren 720S da United Autosports, que tem o brasileiro Nicolas Costa entre seus pilotos. Já o italiano Daniel Mancinelli viveu um drama ao capotar com sua Aston Martin Vantage #77 em batida forte na barreira de pneus.

A Manthey EMA, com o Porsche #911, passou a protagonizar as ações da metade da prova em diante depois dos problemas enfrentados pela tripulação da equipe coirmã Pure Rxcing. A equipe alemã passou a ter como grande adversária a BMW M4 #31 do Team WRT, com grande desempenho do seu trio, formado pelo brasileiro Augusto Farfus, o indonésio Sean Gelael e o inglês Darren Leung. Com Gelael na pista, a marca bávara assumiu a liderança, travando forte duelo nas horas finais contra Richard Lietz, da Manthey EMA.

O cenário na LMP2 também foi de muita interrogação. Quatro conjuntos apareceram com mais evidência durante a prova: o protótipo #37 da COOL Racing, a Vector Sport com o Oreca Gibson #10, a AF Corse e o carro #183 e, por fim, a United Autosports #22, que reassumiu o comando da corrida quando restavam menos de duas horas para o fim, com destaque para o jovem norte-americano Nolan Siegel, piloto da Indy que fez sua estreia em Le Mans.

Drama até o fim — As duas horas finais reservaram momentos eletrizantes. A chuva voltou a dar as caras e mexeu novamente com a estratégia das equipes. Outra cena que chamou a atenção na batalha dos Hypercars envolveu a Ferrari #51 e a Toyota #8, que levou a pior na disputa direta e rodou, com Brendon Hartley ao volante. O neozelandês perdeu cinco posições, e a tripulação do #51 foi punida em 5s.

A Ferrari chegou a ter 1-2 com Nicklas Nielsen liderando ao volante do #50. O dinamarquês enfrentou um problema com a porta aberta do protótipo, mas vinha em ritmo forte. José María “Pechito” López quebrou a dobradinha italiana e passou Alessandro Pier Guidi para colocar a Toyota em segundo lugar. Liderada por Oliver Jarvis, a United Autosports seguia na ponta da LMP2, enquanto a Manthey EMA ocupava a primeira posição na GT3, com a BMW #31 6s atrás.

“Pechito” assumiu a ponta quando a Ferrari chamou Nielsen para fechar a porta da 499P, ficando assim o hypercar italiano em janela diferente de pit-stop. A Ferrari #50 e o Toyota #7 se alternaram na liderança nos emocionantes minutos finais e travaram um duelo estratégico. A grande dúvida era saber se Nicklas Nielsen, a bordo da Ferrari, teria de fazer um rápido reabastecimento no momento crítico da prova, quando ocupava o primeiro lugar.

No fim e no limite do combustível, deu tudo certo para a Ferrari, que com Nicklas Nielsen, Antonio Fuoco e Miguel Molina comemorou sua segunda vitória seguida nas 24 Horas de Le Mans, a 11ª da história da marca mais famosa do automobilismo mundial. A United Autosports triunfou na LMP2 com Oliver Jarvis, Bijoy Garg e Nolan Siegel. Na GT3, a Manthey EMA levou a Porsche ao primeiro lugar com Richard Lietz, Morris Schuring e Yasser Shahin. Ao lado de Darren Leung e Sean Gelael, Augusto Farfus conquistou seu primeiro pódio em Le Mans, somando mais uma conquista à sua vasta galeria de troféus colecionados na carreira.

Como foram os brasileiros — Além da grande jornada de Augusto Farfus liderando seu trio a bordo da BMW #31 na luta pela vitória até o fim para cruzar a linha de chegada na segunda colocação na sua classe, o Brasil viveu outros bons momentos nas 24 Horas de Le Mans.

Em sua estreia na prova, Nicolas Costa conseguiu andar entre os primeiros na GT3 com a McLaren da United Autosports e viu seu carro liderar o pelotão antes de o trio, formado também por Grégoire Saucy e James Cottingham, abandonar a prova com problemas no câmbio. Escalado pela equipe GR Racing para abrir a prova, Daniel Serra saiu do fim do grid, escalou várias posições logo na primeira volta com a Ferrari 296 preta e dourada e chegou a ocupar a quarta colocação na categoria.

Felipe Drugovich também viveu um fim de semana de muito aprendizado nas suas primeiras 24 Horas de Le Mans. O paranaense acumulou muita bagagem correndo pela Whelen Cadillac Racing, tendo como um dos companheiros de equipe o compatriota Pipo Derani, em sua nona participação na corrida. Quando vinha em 14º, o paulista perdeu o controle do Cadillac V-Series.R. O conjunto fechou a prova em 16º lugar na Hypercar.

Felipe Nasr foi mais um nome a representar o Brasil em Le Mans, sendo um dos pilotos do Porsche 963 #4 da equipe de fábrica Porsche Penske. O brasiliense não completou a prova depois de escapar com o carro quando restavam seis horas para a bandeirada em La Sarthe, mas registrou a maior velocidade final da prova: 344,5 km/h.