A Copa Truck Be8 BeVant iniciou a 10ª temporada de sua história no último final de semana em Campo Grande (MS), com uma etapa que pode ter dado pistas sobre o tom do campeonato deste ano, mas não exatamente sobre seus vencedores.
Mesmo com as novidades deste ano — como a entrada da equipe Full Time e as movimentações entre os pilotos —, os treinos iniciais mostraram uma previsibilidade: Leandro Totti liderou todas as sessões da Super Truck PRO, seguido de perto por Beto Monteiro e Paulo Salustiano. Na Super Truck Elite, Nicolas Giaffone também se destacou, com algumas variações no top-3 durante o TL2
São treinos. É perfeitamente normal que esse cenário aconteça e se reflita no sistema classificatório atual, que é dividido em duas tomadas de tempos, sendo a primeira eliminatória. Isso significa que quem marca a volta rápida cedo tende a manter a liderança, tornando a classificação mais estratégica do que disputada até o final.
Embora seja um ponto observado há algumas temporadas, ele não compromete a competitividade das etapas. Com caminhões equilibrados e condições variadas, como chuva, o formato da categoria se mostra eficiente. Em Campo Grande, Totti e Nic Giaffone se destacaram com diferenças confortáveis. Já se mostrava provável que ambos saíssem vitoriosos na Corrida 1.
E foi exatamente o que aconteceu: os dois pilotos venceram em suas classes na primeira prova do domingo. Ainda assim, a prova foi interessante: Totti, como esperado, disparou na frente. Mas, no pelotão do meio, as disputas entre Beto Monteiro, Bia Figueiredo, Paulo Salustiano, Felipe Giaffone e Pedro Perdoncini mostravam que, sim, a Copa Truck Be8 BeVant pode esperar por um ano agitado na parte de cima da tabela. Para a Elite, essa foi uma prova mais apagada, com poucos embates de destaque.

O ritmo impressionante tanto de Totti quanto de Nic pode até ter levado algum fã novato ou mais leviano a pensar: “já temos os campeões”. Mas, em uma categoria de caminhões — equipamentos grandes e com alto potencial de caos —, a verdade é que não é possível declarar vitórias antecipadas. E a Corrida 2 é a maior prova disso.
A inversão de grid na Copa Truck Be8 BeVant segue sendo o maior acerto da categoria. Apenas os oito primeiros invertem, garantindo que os mais lentos não atrapalhem a prova. É na Corrida 2 que a magia acontece: pilotos vencendo após grandes escaladas, largadas de tirar o fôlego e uma imprevisibilidade inquietante.
No Mato Grosso do Sul não foi diferente. E, para preocupação de alguns e apreciação de outros, um acidente envolvendo cerca de quatro caminhões aconteceu na reta de largada. Foi daquelas cenas cinematográficas, com caminhão dando “cambalhotas” pelo barro. Felizmente, a segurança dos caminhões se mostrou impecável, e nenhum piloto se machucou.
Entre os brutos atingidos estava o grande nome do fim de semana: Leandro Totti. Para o piloto, um déjà vu do ano passado, quando ele perdeu o título justamente por nem sempre estar no lugar certo, na hora certa. E esse é um fator mandatório na Copa Truck Be8 BeVant. Não basta ser rápido, não basta ter o melhor caminhão. Você precisa ter, também, um pouco de sorte. E sorte não é acaso; muito pelo contrário, sorte no esporte a motor é um conjunto de fatores, dentre eles saber superar cada golpe de azar.
E essa regra vale até mesmo para o segundo colocado na prova da PRO, Adalberto Jardim. Em um golpe de sorte, ele se viu na frente do pelotão, prestes a ganhar. Mas a bandeirada estava destinada a Felipe Giaffone, que, com maestria e respeito por Jardim, venceu a primeira do ano.

Na Elite, a Corrida 2 foi um verdadeiro deleite. Nic Giaffone largou em oitavo e realizou uma das belas escaladas citadas anteriormente neste texto. A categoria proporcionou disputas em vários momentos da prova, chegou a ter troca de líderes e acabou com Ricardo Alvarez e Maicon Roncen no pódio.
Olhando para o cenário completo da etapa, o grande destaque foi Pedro Perdoncini. O campeão da Elite em 2025 está fazendo sua estreia na PRO com a Full Time e já garantiu seu primeiro pódio. O desempenho de Perdoncini valida mais uma movimentação inteligente da Copa Truck Be8 BeVant com o sistema de rebaixamento: agora, os dois últimos colocados da categoria PRO ao final da temporada serão rebaixados para a classe Elite em 2026, e os dois melhores da Elite sobem para a PRO.
Esse sistema garante que os jovens talentos tenham uma oportunidade de ascender e, aos poucos, renovar o grid principal. Essa receita é uma forma de garantir a continuidade e a chegada de novos fãs, mantendo o status de categoria “queridinha” do público, que sempre lota os autódromos para assistir aos brutos.
Com as equipes mais familiarizadas com regulamento e combustível, a próxima etapa da Copa Truck Be8 BeVant, no Rio Grande do Sul, promete corridas ainda mais abertas, mantendo um cenário de campeonato que, no fim das contas, é sempre previsivelmente imprevisível.
