Felipe Giaffone voltará a correr na Fórmula Indy em 2006. O paulista será piloto da A.J. Foyt Enterprises na categoria onde competiu até 2004, depois de um ano atuando no Campeonato Brasileiro de Fórmula Truck. E, mesmo retomando a carreira nas pistas dos Estados Unidos, garante que sua participação na categoria nacional dos caminhões não acabou. “Eu fiz grandes amigos na Fórmula Truck, é onde quero estar quando voltar a correr no Brasil”, comenta.
O piloto reconhece que sua participação na Truck estava fora dos planos no início da temporada. “Sem querer, eu acabei fazendo parte de um evento super profissional, defendendo uma marca espetacular e integrando uma equipe ótima”, resume, citando a Roberval Motorsport, time pelo qual disputou sete corridas com caminhões Scania. Nas quatro primeiras, pilotou o caminhão mecânico T113. Nas três últimas, competiu com o novo modelo eletrônico R380.
“No início do ano, quando visitei a F-Truck, meu objetivo era conhecer o evento, que tem uma repercussão fantástica no Brasil e no exterior. Mas as coisas aconteceram rapidamente. Tive a sorte de conhecer o Roberval, que se tornou um grande amigo”, descreve. “Num primeiro momento, ele, na condição de chefe da equipe, foi quem bancou toda a situação para que eu fizesse parte do esquema de trabalho. Foi um voto de confiança e tanto”, considera.
A adaptação rápida à categoria permitiu a Giaffone subir ao pódio com o quinto lugar logo na estréia, em Goiânia. Em sua quarta corrida, a primeira com o caminhão eletrônico, liderou da quinta à metade da última volta e, atrapalhado por uma poça de óleo na pista, terminou em segundo, sob chuva, em Curitiba. “Eu tive momentos muito felizes na Fórmula Truck, como os dois pódios. Além disso, vivi num ambiente em que fiz muitas amizades, foi ótimo”.
PARCERIA MANTIDA
Pela proximidade que criaram durante uma temporada trabalhando juntos, os dois pilotos paulistas admitem que vão manter uma parceria em 2006. “Não só o Roberval vai para os EUA acompanhar pelo menos uma corrida minha na Indy, como também vou estar colaborando com o que puder para a equipe dele manter o sucesso deste ano. Vou ficar de olho no que foi possível conseguir lá, na parte técnica, para a equipe ganhar décimos de segundo aqui”, diz Felipe.
Giaffone faz questão de frisar qualidades que observou no modo como Andrade comandou a equipe ao longo da temporada. “Ele tem muita disposição para correr atrás de detalhes que podem fazer alguma diferença. A vontade dele de sempre melhorar chega a impressionar, se ele percebe que alguma coisa pode render alguma melhora, não pára o trabalho até que tudo esteja feito. O Roberval se mostrou um excelente chefe de equipe”, elogia o piloto.
Roberval não esconde uma certa frustração com a saída de Felipe. “Ele trouxe, além do talento, uma dose muito forte de profissionalismo, para a equipe e para o evento. Fez uma temporada excelente e teve um desempenho fundamental para o título de marcas da Scania”, avalia. “Mas ele não podia deixar escapar essa oportunidade, a fase internacional da carreira dele é uma atualidade. E quando resolver voltar, a Roberval Motorsport vai estar de portas abertas para ele”.
“ANO CURIOSO”
A temporada automobilística de 2005 foi uma das mais movimentadas da carreira de Felipe Giaffone. “Esse foi um ano muito curioso, eu acabei pilotando em sete categorias diferentes, de uma forma ou de outra”, enumera. “Quando você faz um balanço de fim de ano e percebe a quantidade de trabalhos para os quais foi chamado, a satisfação é enorme. Mesmo com o foco principal na Truck, a chance de pilotar tantos carros diferentes foi muito interessante”.
Felipe abriu a temporada conquistando o vice-campeonato das Mil Milhas Brasileiras, pilotando um protótipo ZF formando equipe com Tony Kanaan, Paulo Bonifácio e Luiz Otávio Paternostro. Em maio, foi 15º colocado nas 500 Milhas de Indianápolis, depois de conseguir para a A.J. Foyt Enterprises a última posição no grid. Em outubro, pilotou um Peugeot na TC2000, em Buenos Aires, na etapa em que a série argentina teve a companhia da Stock Car brasileira.
Foi Giaffone, também, um dos primeiros a testar o carro da Stock Junior, competição que passará a integrar o calendário nacional em 2006. Ele é um dos mentores da categoria. No mês passado, venceu as 500 Milhas de Kart da Granja Viana, ao lado de Kanaan, Rubens Barrichello e Dan Wheldon. Foi a primeira vez em que também atuou na organização da prova. Na semana passada, por fim, fez testes de pneus para a Pirelli com um carro da Stock Car V8.