Depois da boa campanha que cumpriu em 2004, finalizando a temporada em terceiro na estréia do modelo eletrônico P124 da Scania, Roberval Andrade fez prognósticos positivos para o Campeonato Brasileiro de Fórmula Truck de 2005. A perspectiva de disputar o título desde as primeiras provas, contudo, começa a dar lugar à elaboração de uma estratégia que mantenha as chances do piloto paulista de conquistar sua segunda taça na categoria.
“Nós esperávamos bem mais, mas a sorte não esteve ao nosso lado até agora”, lamenta Roberval. Ele abandonou em Caruaru, com um problema na parte elétrica, e em Goiânia, com a quebra da caixa de direção. A chance mais evidente de vitória se deu na terceira etapa, domingo último (15) em Interlagos, São Paulo. Largando da pole depois de dominar também os treinos livres de sexta, o piloto via o início de sua reação na disputa pelo título.
“Desde o meio da semana eu estou com um pressentimento de que nós vamos vencer essa corrida de novo”, dizia, na manhã da corrida, citando o triunfo que conquistara um ano antes na etapa paulista. Na corrida, liderou até a bandeira amarela programada, na 12ª volta. Dada a relargada, o ritmo do Scania número 420, decorado nas cores de Assobrasc, Knorr-Bremse, Guerra, Rodafuso, Frum, Biasi Tanques, Tanesfilm, KS e Expresso Araçatuba, caiu bruscamente.
“Doeu dar adeus à liderança”, lamentou o piloto, que teve de encostar nos boxes da Roberval Motorsport. O problema foi decorrente de uma das braçadeiras da mangueira do turbo, que não suportou o aumento da pressão e de soltou. Esse problema deixou livre o caminho para que o paranaense Leandro Totti, o segundo colocado, administrasse a liderança, conquistasse a segunda vitória na categoria e tirasse de Wellington Cirino a liderança do campeonato.
Com os problemas em Interlagos, Roberval Andrade teve complicada sua tarefa de se aproximar dos líderes. “Essa era uma corrida em que a nós tínhamos tudo para ganhar. Depois dos testes que fizemos em Goiânia, o caminhão estava muito competitivo. Para falar a verdade, em São Paulo, até o treino classificatório, aconteceu bem mais do que era esperado. Mas essa quebra nos tirou a chance de tentar fazer um campeonato com tranqüilidade”, analisa.
O campeão de 2002, contudo, não desiste do objetivo de buscar o título de 2005. “Faltam seis provas para o campeonato terminar. Eu tenho cinco corridas para buscar os resultados que me coloquem na última corrida com chance de ser campeão. Como tenho um caminhão competitivo nas mãos, é uma chance real”, considera. “Só que, a partir de agora, não há mais espaço para erros. O que tinha de dar errado, já deu”, torce, em tom sentencioso.