Depois da estréia da temporada de 2005 da Stock Car brasileira há duas semanas, Interlagos volta a ficar movimentado para receber outro grande evento do esporte a motor no Brasil, a Fórmula Truck. É a sétima vez que a categoria de caminhões corre em São Paulo, onde costuma levar um público tão grande quanto o do Grande Prêmio de Fórmula 1 chegando a mais de 50 mil pessoas no circuito paulistano. Só não correu em 2000 e 2001 por uma proibição equivocada e até hoje não bem explicada por autoridades esportivas de São Paulo.
Os trabalhos de preparação do autódromo feito pela equipe de produção da Fórmula Truck junto com funcionários da administração de Interlagos e Prefeitura Municipal de São Paulo já estão nos detalhes finais com a limpeza da área dos boxes. Toda a grama foi aparada, matos e lixo recolhidos, arquibancadas fixas pintadas e pneus de proteção revisados no circuito. O Autódromo José Carlos Pace já está pronto para receber um dos maiores públicos em autódromos brasileiros neste próximo final de semana. Foram construídos mais 35 mil lugares em arquibancadas tubular e sete mil lugares em Hospitality Centers no paddock. Os detalhes para a acomodação do público foram cuidadosamente revistos pela equipe da Fórmula Truck, como banheiros, sistema de informações e lanchonetes em lugares estratégicos para atender o público com preços não abusivos, uma preocupação constante do promotor da Fórmula Truck.
A produção que incluem dois telões colocados em pontos estratégicos para o público não perder os melhores lances de disputas da prova, tem uma razão especial para o promotor Aurélio Batista Félix, que há 17 anos começou a trabalhar na criação da categoria de caminhões brasileira: este ano, a Fórmula Truck comemora 10 anos de categoria oficial, homologada pela CBA. “O que vale é ver os pilotos e equipes trabalhando pra valer na briga pelo título dos dez anos da Fórmula Truck. Quem chegar na final disputando esse título já vai ficar na história”, lembra com orgulho o promotor.
Na pista, depois das duas provas da temporada, Caruaru e Goiânia, a concorrência continua acirrada entre as equipes mais fortes. O paranaense Wellington Cirino (Mercedes-Benz) lidera o campeonato com 38 pontos e é um dos grandes favoritos para a vitória em Interlagos. Tem duas vitórias e duas pole positions no circuito de São Paulo, mas confessa que nas duas vezes foi um sufoco receber a bandeirada em primeiro. “Em São Paulo tem muita gente forte. Renato (Martins), Roberval (Andrade), Beto (Monteiro) e Djalma (Fogaça) sempre serão ameaças”, lembra o piloto da Mercedes.
A prova de Interlagos é vista por muitos pilotos que foram prejudicados por quebras e batidas nas duas primeiras provas da temporada, a recuperação na briga pelo título de 2005. O pernambucano Beto Monteiro (Ford), campeão do ano passado é um deles. Está em nono na classificação do campeonato. “Tive um acidente em Caruaru e problemas mecânicos em Goiânia. Mas ainda é tempo e vamos buscar nosso lugar entre os primeiros”, fala com convicção o companheiro de equipe de Djalma Fogaça, que só correu em Goiânia e faz parte do time dos que ainda não marcaram pontos esse ano.
O paulista Roberval Andrade (Scania) campeão em 2002 também faz parte do mesmo time por causa de problemas mecânicos. “Vamos deixar os maus momentos para trás. Interlagos é muito especial e estamos prontos para andar na frente”, avisa o piloto que tem agora uma força a mais na sua equipe Roberval Motorsport, o piloto de Fórmula Indy Felipe Giaffone. O quinto lugar na prova de sua estréia em Goiânia animou a equipe que tem apoio oficial da Scania. “O meu caminhão não está entre os mais rápidos, mas acho que podemos estar entre os cinco primeiros no grid”, coloca Giaffone com entusiasmo pela sua nova opção como piloto.
Na lista dos principais favoritos em Interlagos, sempre aparece o campeão do primeiro ano da Fórmula Truck (1996) e recordista de vitórias, 23, Renato Martins (Volkswagen). Dono de uma equipe que reúne outros nomes de peso na Fórmula Truck, Beto Napolitano, Jonatas Borlenghi e Débora Rodrigues, a RM Volkswagen fez a apresentação do seu novo caminhão nesta terça-feira em um Hotel cinco estrelas de São Paulo, O RMVW-05. A equipe tem um histórico representativo em Interlagos. Em 2002 e 2003 Renato perdeu a vitória por bem pouco. No primeiro ano parou sem combustível a 700 metros da linha de chegada e no ano seguinte cruzou em primeiro, mas perdeu a posição pelo regulamento em função de uma paralisação da corrida. Jonatas Borlenghi foi segundo no ano passado e Beto Napolitano foi terceiro em 1999. Napolitano venceu a primeira prova deste ano e passou a ser um forte concorrente ao título de 2005. O quarto piloto da equipe, agora literalmente com uma nova visão, de quem anda em quarto na corrida, é Débora Rodrigues, que marcou seu primeiro pódio na Fórmula Truck em Goiânia na quarta posição. Mais confiante entre um time de pilotos só de homens, Débora pretende defender sua quinta posição no campeonato deste ano. “Aprendo muito com o Renato (Martins) e o Beto (Napolitano) e sinto que melhoro a cada dia. E domingo estaremos estreando o novo caminhão que tem tudo para apresentar uma performance melhor do que o de 2004”, lembra Débora Rodrigues.
A programação da Fórmula Truck mantém seus horários de todas as etapas, com dois treinos livres na sexta-feira, dia 13, às 14h00 e 16h00, com duração de 60 minutos cada. No sábado, dia 14, são mais dois treinos livres marcados para às 9h00 e 11h15. A tomada de tempo está marcada para às 15h00. No domingo, o treino de aquecimento daFórmula Truck está marcado para às 9h15 e a largada da prova às 14h00. A prova preliminar com a DTM Pick-up tem sua largada marcada para às 10h25.
Os ingressos para a terceira etapa do Campeonato Brasileiro de Fórmula Truck em Interlagos estão sendo vendidos antecipadamente em postos credenciados Petrobras e concessionários Bridgestone Firestone a R$ 25 reais. Quem comprar antecipado ganha um boné oficial da Fórmula Truck bordado. Os endereços dos locais de venda estão no site www.formulatruck.com. No domingo, os ingressos estarão sendo vendidos nas bilheterias do autódromo sem o direito ao boné oficial.