Na TCR, Schotten traça novos horizontes dentro e fora do Brasil

Com apenas 18 anos, Erick Schotten se mostra um piloto focado em construir um bom futuro dentro do automobilismo nacional. Durante a etapa da TCR South America em Interlagos, iniciada nesta quinta-feira (23), o jovem conversou com o F1MANIA.NET sobre a nova fase da carreira e o desafio ambicioso de disputar dois campeonatos simultaneamente: a Stock Light e a TCR.

Após duas temporadas na Stock Light — campeonato que conta com um calendário mais enxuto —, Erick sentiu a necessidade de aumentar sua quilometragem nas pistas. “Tinha muito intervalo entre as etapas, e para um piloto em desenvolvimento isso pesa. Preciso estar no carro o máximo possível”, explica.

Na TCR, Schotten traça novos horizontes dentro e fora do Brasil
Foto: José Mario Dias

Aposta na TCR

Foi nesse contexto que surgiu a oportunidade de ingressar na TCR, categoria com a qual Erick já tinha proximidade por conta da equipe, a W2 Pro GP. O contato prévio facilitou a adaptação. “É uma categoria excelente, com visibilidade e presença mundial. Isso abre portas para correr fora do Brasil, o que pesa muito pensando na carreira.”

Mesmo vindo de uma trajetória que inclui kart, Fórmula Delta, competições nos Estados Unidos e a própria Stock Light, a TCR está exigindo maior dedicação, já que o carro com tração dianteira mudou sua forma de guiar. “É completamente diferente de tudo que eu já guiei. Tive que aprender bastante, mas o fato de já conhecer a equipe ajudou muito nesse processo”, comenta.

Os resultados começaram a aparecer logo nas primeiras etapas. Um dos momentos mais marcantes até aqui foi o primeiro pódio em Cascavel, no Paraná, uma pista onde o piloto já havia batido na trave outras vezes. “Sempre faltava um detalhe para o pódio. Desta vez deu certo, muito por conta da adaptação ao carro e de estar pilotando mais leve, mais tranquilo.”

A chegada à TCR também colocou Erick em um grid mais diverso e experiente, com pilotos de diferentes países. O início, segundo ele, foi de observação. “Cheguei com a mentalidade de aprender. Diferente de outras categorias, aqui eu não conhecia quase ninguém, principalmente os pilotos internacionais. Estou me adaptando dentro e fora da pista.”

Na TCR, Schotten traça novos horizontes dentro e fora do Brasil
Schotten (no centro da imagem) comemorando o pódio em Cascavel/Foto: Luís França/Vicar

Corrida em duplas exige adaptação rápida

Em Interlagos, o desafio ganha um elemento adicional: uma corrida de longa duração, disputada em duplas. A novidade exige não só desempenho, mas também sintonia entre Erick e sua dupla, Bruno Massa, que também corre na TCR. “O acerto do carro precisa funcionar para os dois pilotos, então a gente precisa chegar num meio-termo. Não é mais um trabalho individual”, explica. “Vamos precisar treinar bastante, porque é novidade para nós.”

Mesmo com a complexidade de alternar entre duas categorias no mesmo fim de semana, o piloto acredita que o momento da temporada ajuda. “Se fosse minha estreia, seria mais complicado. Agora já estou mais confortável.”

O que vem pela frente

O olhar, no entanto, não fica só no Brasil. Erick também já projeta as etapas internacionais da TCR, com passagens previstas por Uruguai e Argentina. “Quero muito correr fora. Isso traz experiência em pistas novas e contribui muito para minha evolução como piloto.”

Refletindo sobre o futuro, ele mantém os objetivos claros: a meta é seguir evoluindo e somar bons resultados nas duas frentes. “Espero que o Erick do fim do ano esteja realizado com o trabalho feito — e, quem sabe, até superando as expectativas.” Entre os planos, ele não descarta brigar pelo título da Stock Light. “Tem muito trabalho pela frente, mas é nisso que estou focado.”