Dakar reúne dificuldades no penúltimo dia e mostra “crueldade” com competidores

O Dakar morde. A 11ª e penúltima etapa do Dakar, disputada nesta quinta-feira (18), com 587 quilômetros totais, teve seus 480 de trecho cronometrado eleitos como os mais difíceis da edição 2024. A prova, entre Al’Ula e Yanbu, reuniu todas as dificuldades possíveis a pilotos, navegadores e máquinas. E mostrou como o esporte pode ser “cruel”.

Cristian Baumgart e Beco Andreotti adotaram cautela total para completar a etapa rumo ao objetivo maior, que é terminar o Dakar 2024. “De longe, a mais difícil em que já pilotei”, impressionou-se Cristian Baumgart. “Havia uns trechos de pedras que parecia que estávamos em outro planeta. Era muito difícil: tínhamos que passar praticamente nos arrastando”, disse. A dupla brasileira da X Rally teve de superar dois furos de pneu e completou o dia com o 27º tempo do dia entre os carros com o Prodrive Hunter da X Rally. No acumulado, Cristian e Beco ocupam o 13º lugar.

“Um dia bem difícil – cruel até, eu diria -, que exigiu tudo de pilotagem, navegação e também de concentração. Furar pneu era a coisa mais fácil hoje, e vimos muita gente pelo caminho”, destacou o navegador Beco Andreotti.

E, de fato, a 11ª etapa do Dakar “mordeu” muita gente que lutava pelo título. A começar pelo então vice-líder Sebastien Loeb, da BRX. Seu Prodrive Hunter ficou parado com um problema mecânico no quilômetro 132. Ele e o navegador Fabian Lurquin perderam quase uma hora e meia, conseguiram consertar a suspensão quebrada e finalizaram a etapa com o 36º tempo, a 1h28min do tempo do vencedor da etapa, Guerlain Chicherit.

Com o contratempo de Loeb, o brasileiro Lucas Moraes subia temporariamente à vice-liderança geral do rali. No entanto, logo depois o brasileiro também enfrentou problemas e perdeu cerca de duas horas – também com quebra de suspensão -, e fechou o dia com o 45º tempo e caiu para o nono lugar no somatório.

“A etapa de hoje foi mais um grande aprendizado para nós, que estamos neste esporte há muito tempo. Conseguimos terminar, mas foi duro para todo mundo – mais para alguns, menos para outros. Ficou aquela lição, que o Dakar morde”, filosofou Baumgart, que ruma junto de seu navegador, Beco Andreotti, à etapa final do Dakar, que terá 175 quilômetros cronometrados para a coroação dos grandes campeões da edição 2024.