O quarto dia de prova da 21ª edição do Rally dos Sertões foi especial para o francês Cyril Despres, bicampeão do Sertões (2006 e 2011), que hoje conquistou sua primeira vitória pela equipe Yamaha Racing, com quem está fazendo sua estreia. O espanhol Marc Coma (KTM) terminou em segundo, mas se mantém na liderança com vantagem de apenas 1min40. O português Paulo Gonçalves (Speedbrain 450 Rally) foi o terceiro e caiu uma posição na geral, ocupando agora o terceiro lugar. A disputa nas Motos está eletrizante: em quatro etapas, três vencedores diferentes de três marcas diferentes.
Hoje os competidores saíram de Uruaçu (GO) rumo a Porangatu (GO), um dia mais curto em relação a véspera, mas de muita velocidade e perigos. Amanhã a situação fica ainda mais complicada, pois será o dia mais longo até então e Etapa Maratona, na qual os competidores não terão apoio mecânico ao final.
“Primeira especial que venço com Yamaha, então é um dia bastante especial para mim e para a equipe. Foi a especial mais emocionante da minha vida, bem aberta com alguns buracos. O começo foi num ritmo tranquilo. No abastecimento, eu estava a 1min13 do Marc (Coma) e ai passei a forçar mais. A uns 20 km do final eu cometi um pequeno erro e perdi um pouco de tempo, o que é muito quando se trata de um competidor como o Marc na sua frente”, contou o francês, que subiu para a segunda posição na classificação.
Para Coma (KTM), o dia transcorreu tranquilo: “Dia rápido, tranquilo e sem problemas. A pista estava muito boa para acelerar e explorar o potencial da moto”, resumiu. Para o português Paulo Gonçalves, que está na disputa direta com Coma e Despres e caiu para a terceira posição na geral, o importante é manter a concentração. “Dia bem legal, sempre muito duro e um início extremamente rápido. Está sendo um ótimo rali. Terceiro de novo e ainda não estamos nem na metade, então vamos nos manter concentrados.”
Entre os brasileiros, o melhor do dia foi Deni do Nascimento (KTM), que terminou na quinta colocação, mas na geral Ike Klaumann (Honda Moto de Rally) é o melhor brasileiro, na sétima posição. “O dia começou bem gostoso, do jeito que prefiro andar, em trechos rápidos e sinuosos e foi assim até a parte da serra com as subidas e descidas. Enquanto eu não me acostumar 100% com a moto eu não vou forçar nestes trechos. Eu havia chegado no (Michael) Metge, mas na parte travada ele voltou a abrir. Depois do abastecimento voltamos a uma parte mais lenta e depois voltou a ficar rápido e consegui andar melhor. A estratégia é manter o foco para não desconcentrar, porque eu quero muito terminar este rali. Vou aproveitar os dias rápidos para acelerar o máximo que puder e nos outros vou ser conservador. Agora, eu espero que os outros dias também sejam de especiais bem rápidas”, disse Deni.
Quadriciclos
Nos Quads, o polonês Rafal Sonik (Honda TRX 700) continua sem rivais e se divertindo bastante. Venceu a quarta etapa seguida e abriu ainda mais vantagem na liderança, agora a 12min28 de diferença para o segundo colocado. Mas entre os brasileiros o duelo entre Robert Nahas (Honda TRX 700) e o atual campeão Marcelo Medeiros (Yamaha Raptor 700) está empolgante. Hoje, Nahas terminou em segundo e Medeiros em terceiro, com apenas 47 segundos de diferença. Na classificação geral, a diferença entre ambos é de 59 segundos, com Nahas em segundo e Medeiros em terceiro.
“Hoje eu queria que meu quadriciclo tivesse a sexta marcha! Os trechos eram muito rápidos e eu devo ter chegado a algo próximo de 140 km/h e isso para um quadriciclo na terra é muito, muito rápido. Passei muito calor hoje e geralmente eu passo devagar pelos rios e riachos, mas hoje eu não quis nem saber: passei à toda velocidade e tomei um belo e refrescante banho. O que eu mais gosto neste rali são as especiais; é uma característica dos terrenos brasileiros, com muita mata e florestas de árvores um pouco altas e que por isso não dá para se guiar pela posição do sol. Por isso a planilha é tão importante e as que a organização nos disponibiliza são extremamente precisas”, elogiou Sonik.
Robert Nahas concorda com Sonik sobre a diversão na especial, mas destaca que para o equipamento foi bastante severa. “Uma especial divertidíssima para o piloto, mas aposto que meu quadriciclo discorda veementemente de mim! Para o equipamento é bastante severa porque exige altas velocidades e o motor é muito solicitado. Por isso, eu tinha que ficar de olho nas temperaturas o tempo todo para que não houvesse superaquecimento. Do ponto de vista da competição foi mais um ótimo dia, perdi um pouco de tempo com o Tom Rosa e depois só tomei um susto em um salto que saiu mais alto do que eu esperava e por um momento eu não sabia onde o quadri ia cair. De resto, foi tudo bem”.
O destaque do dia nos Quads ficou por conta de um jovem estreante, Gabriel Varela, 18 anos, com um Suzuki LTR450. O filho do campeão do Sertões 2002, bicampeão mundial e hepta brasileiro em carros, Reinaldo Varela, terminou na quarta posição e subiu da sétima para a quinta posição na geral, logo atrás das feras dos Quads.
UTVs
A briga nos UTVs também está emocionante. Hoje a vitória ficou com Carlo Collet / Marcos Gouvea (Can Am Maverick), mas Bruno Sperancini/Lourival Roldan (Polaris RZR XP 900 4) lideram no geral. “Foi legal. Uma especial bem rápida. E, faltando 30 km, tivemos um pneu furado. Mas o mais importante é que estamos com 27 minutos de vantagem na liderança. Nossa prioridade é ganhar o rali e não o dia”, declarou o navegador Roldan.
Collet comemorou mais uma vitória. O piloto já havia faturado o Prólogo, em Goiânia. “Foi uma etapa show de bola, onde pudemos andar bem rápido. Pena que pouco antes do abastecimento também tivemos um furo de pneu, mas depois não enfrentamos nenhum problema”, contou.
Rodrigo Varela/João Arena (Can An Comander) está na vice-liderança, a 27min43 dos líderes. Rodrigo – outro filho do piloto de carros Reinaldo Varela, que não está competindo esse ano, pois se recupera fisicamente em função de um acidente na etapa do Mundial de Rally Cross Country, em abril, no Catar – destacou a diferença de potência de seu equipamento. “Meu UTV tem uma potência mais baixa em relação aos outros, o que representa uma desvantagem grande, ainda mais em uma especial rápida como foi a de hoje. De qualquer forma, mesmo conseguindo 30 km/h a menos de velocidade final em comparação aos concorrentes, a gente conseguiu imprimir um ritmo bem forte e no final conseguimos até chegar no pessoal mais à frente. Agora é fazer uma revisão geral no UTV, trocar óleo, freio, pneus e outras coisas menores para a etapa maratona que teremos amanhã”.
Por FGCom
