Depois do breve “aquecimento” da véspera, a 21ª edição do Rally dos Sertões começou para valer hoje, quando os competidores percorreram 414 km, dos quais 287 cronometrados. Saíram de Pirenópolis rumo a Uruaçu, cidade do interior de Goiás, conhecida por ter um dos maiores lagos artificiais de usina hidrelétrica do mundo, o Lago de Serra da Mesa com 1,7 mil km². A prova foi dura, pedreira, exigiu muito dos pneus e contou com alguns incidentes.
No duelo entre as feras internacionais de motos, o espanhol Marc Coma (KTM) levou a melhor hoje, com o francês Cyril Despres (Yamaha) em segundo e Paulo Gonçalves (Speedbrain 450 Rally) em terceiro. Com o resultado, assumiu a liderança geral, com apenas 1min56 de vantagem sobre o segundo colocado, o português Gonçalves que tomou um susto e perdeu cerca de cinco minutos enroscado numa cerca de arame farpado.
“Tomei um belo susto faltando 15 km para o final. Perdi a freada com a moto saindo de frente e me enrosquei em uma cerca de arame farpado. Demorei uns cinco minutos para tirar a moto. Eu estava na frente o tempo todo e esse problema no final me fez perder tempo e o Coma me passou”, lamentou Gonçalves, vencedor da véspera. Coma gostou da disputa. “Hoje tivemos a primeira parte bem rápida e depois foi ficando cada vez mais técnico e o final bem travado, com muitas boas disputas”, resumiu.
O francês Cyril Despres, bicampeão do Sertões, ressaltou que ainda está em fase de adaptação com o novo equipamento. Ele estreou esse ano pela equipe Yamaha Racing.
“Perdi o hodômetro logo no começo da especial e não foi nada fácil ficar sem referência para navegar. O mais importante é que comecei a entender melhor como a moto funciona, mas ainda assim é um processo longo e não dá para ficar forçando nesse estágio inicial. Além disso, está muito quente, pelo menos 20 graus a mais do que está na França, então tem sido bem difícil”, disse.
Entre os brasileiros, Ike Klaumann (Honda Mobil de Rally) foi o melhor, com o sexto tempo do dia e subiu para a sexta posição no geral. “Já sabia que hoje seria duro e até o ponto do abastecimento foi legal, rápido. Depois tinha muita pedra, chão solto, bem difícil de segurar a moto. A especial exigiu muito dos pneus, os meus ficaram quase sem gomos”, contou.
Acidente tira Nielsen da prova
Seu companheiro na equipe Honda Mobil, Nielsen Bueno, que ontem foi o melhor brasileiro na prova, sofreu um acidente e está fora da competição. “Estava muito feliz ontem, tinha sido o melhor brasileiro e vinha numa tocada segura, tentando manter o ritmo. Fiquei muito chateado com a atitude do (Michael) Metge (piloto francês). Corri 100 km na poeira dele, já tinha tirado uns quatro ou cinco minutos de diferença e ele não me deixava passar. No reabastecimento, pedi duas vezes para passar e ele não deixou. Considero uma atitude antidesportiva. Eu mesmo deixei o Ruben Faria passar, porque ele estava mais rápido e o Metge também deixou. É muito perigoso ficar na poeira e foi o que aconteceu. Acabei escorregando numa pedra, cai, o pulso (esquerdo) entrou no protetor do guidão e tive uma fratura. Infelizmente estou fora do rali”, lamentou Nielsen.
Quadriciclos
Nos Quads, o polonês Rafal Sonik (Honda TRX 700) venceu a terceira etapa seguida e segue como favorito. Mas entre os brasileiros a disputa foi sensacional. Tom Rosa (Yamaha Raptor 700) chegou em segundo a apenas seis segundos de Robert Nahas (Honda TRX 700), que terminou em terceiro. Na classificação geral, Sonik lidera com 8min34 de vantagem sobre Nahas, que subiu uma posição na tabela. Marcelo Medeiros, que perdeu a segunda posição para Nahas, está em terceiro, apenas 12s30 atrás; e Tom Rosa vem em quarto a menos de três segundos de Medeiros. A briga promete.
“Foi um dia de muito calor, sem vento e que exigiu bastante dos veículos e competidores. O motor do meu quadriciclo estava esquentando demais. Tentei imprimir um ritmo forte, mas tomando cuidado. Foi uma especial muito bonita. Um rali cross country tem que ter trechos rápidos, travados, subidas, descidas, trechos largos, apertados e tivemos tudo isso hoje”, comentou Sonik.
Para Nahas, o dia foi bastante exigente. “A pedreira hoje judiou no aspecto físico e exigiu muita concentração. Guiei bastante consciente dos riscos de hoje e tinha que tomar muito cuidado porque as pedras estavam escondidas no fesh fesh (pó que parece talco e esconde os obstáculos). Qualquer distração poderia levar a um capote”.
UTVs
Nos UTVs, a dupla Luciano Lobão/Rafael Shimuk (Can Am Maverick) venceu a especial do dia e assumiu a liderança, com mais de 17 minutos de vantagem para o atual campeão Bruno Sperancini, que tem Lourival Roldan como navegador nesta edição no Polaris RZR XP 900 4.
Apesar da vitória, a dupla Lobão/Shimuk não teve vida fácil. “Um dia muito fácil para quebras. Muita pedra solta, ponta de toco, vários perigos. Chegamos a 125 km/h no canavial e demos saltos bem altos. O final foi mais perigoso. Capotamos a uns 30 km do fim da especial e levamos uns cinco minutos para desvirar o UTV e ai conduzimos até o final”, contou.
Sperancini também ressaltou a dificuldade da especial. “Muita gente quebrada pelo caminho. Tivemos um pneu furado, mas conseguimos trocar rápido. Tinha que ir com calma, porque havia muito fesh fesh com pedra escondida. Se não preservasse o equipamento, ia quebrar no meio”, completou.
O estreante Rodrigo Varela, filho do ex-campeão dos carros Reinaldo Varela, também conquistou um ótimo resultado, principalmente em uma especial tão difícil. Ele e o navegador João Arena terminaram em terceiro lugar, posição que ocupam também na geral com o UTV Can Am Comander.
Amanhã (28/7), uma etapa com quilometragem baixa, mas o ritmo continua a crescer. A especial começa com piso bom, velocidade média e alta, variando trechos de piçarra com estradas cascalhadas. Entra num trecho com longas retas, porém o piso não ajuda muito. Na última parte da especial, a prova fica travada e a 20 km do final entra novamente um trecho de retas maiores, mas com muitas depressões e erosões.
No total, a prova terá 4.115 km, dos quais 2.488 cronometrados, em nove dias de disputas.
Por FGCom
