Por Giovanni Romão
No final de 2004, mais exatamente no dia 26 de dezembro, um grande Tsunami assolou a zona costeira da África Oriental, afetando países como Tailândia, Indonésia e Sri Lanka. A tragédia, que vitimou milhares de turistas levou a seguinte questão. As autoridades locais e internacionais não sabiam da possibilidade das grandes ondas? Será que os interesses da economia turística da região era mais relevante do que alertar a população sobre uma ameaça de uma catástrofe natural?
Quem está lendo esta coluna deve estar com mais um questionamento na cabeça. O que tem haver o Tsunami com o automobilismo? Muito simples! Infelizmente, ouvi muitos jornalistas conceituados criticarem a decisão dos organizadores do Rally Dakar pelo cancelamento da prova de 2008. Estes homens, considerados seres pensantes, estão dizendo o seguinte: “Cancelar o Rally pelas ameaças recebidas é dar ponto positivo e abrir brechas para o terrorismo dominar definitivamente!”.
Vamos parar de hipocrisia e viver em um mundo de fantasia. Realidade é que o terrorismo se tornou algo concreto no cotidiano da sociedade, vide os atentados de 11 de setembro de 2001 nos EUA, o massacre na escola russa, em Beslan, no ano de 2004, o assassinado da ex-premiê Benazir Bhutto, e muitas outras bombas e homens-bombas que vitimaram milhares de pessoas nos últimos anos pelo mundo.
Querer levantar a lebre e culpar os organizadores do maior evento de rally do mundo de darem força ao terrorismo é mais um erro esdrúxulo da nossa querida imprensa, tanto nacional como a internacional. A Petrobras, por exemplo, investiu mais de R$ 2 milhões para colocar os pilotos em um bom nível para disputa da competição; Assim como a estatal brasileira, muitas outras empresas, equipes e pilotos gastaram milhares e milhões de dólares para ver o rally acontecer. Agora, quanto vale a vida humana?
Não tem valor investido que pague o risco de centenas de pilotos. Não tem interesse político e publicitário que seja mais relevante do que ameaças de atentados terroristas. Não existe tradição e história de anos que supere a possibilidade de seqüestros e assassinatos.
O cancelamento do rally, sem dúvida, é um ponto favorável ao terrorismo. Mas quando certos seres pensantes caírem na realidade do mundo atual, talvez tenham consciência para dizer: “Os organizadores, realmente, optaram pela decisão mais coerente!”.
O futuro do rally mais famoso do mundo pode ser incerto a partir deste ano. Agora, certo mesmo é que assim como o Rally Dakar foi cancelados, outros grandes eventos estão na mira do risco mais cruel dos tempos contemporâneos: o terrorismo!