A equipe Mitsubishi Racing aquece os motores para a 14ª edição do Rally Internacional dos Sertões, que começa no dia 26 de julho, em Goiânia, capital de Goiás, e termina no dia 4 de agosto, em Porto Seguro, no litoral sul da Bahia. A bordo de suas L200 Evolution, as duplas Guilherme Spinelli/Marcelo Vivolo e Ingo Hoffmann/Lourival Roldan terão a missão de representar a equipe oficial da Mitsubishi na competição, considerada a mais difícil entre as provas de rally cross country disputadas na América Latina.
Dividida em nove etapas, a prova deste ano terá a extensão total de 3.878 quilômetros, sendo 1.986 quilômetros de especiais, e, além dos pontos de partida e chegada, passará pelas cidades de Minaçú (GO), Palmas (TO), Alto Parnaíba (MA), Correntes (PI), Barra (BA), Seabra (BA), Brumado (BA) e Cândido Sales (BA). Segundo a organização da prova, o percurso terá 70% de trechos inéditos, caracterizados principalmente por trilhas travadas e especiais extremamente técnicas.
“Em competições como o Rally dos Sertões, é praticamente impossível apontar um favorito”, afirma Guilherme Spinelli, atual tricampeão brasileiro de Rally Cross Country. “Todas as etapas são extremamente difíceis e exigem uma combinação perfeita entre velocidade e manutenção dos veículos para concluir a prova. Além disso, os competidores ficam expostos a muitas variáveis que podem determinar o resultado final da competição”.
Bicampeão do Rally dos Sertões na geral e na categoria Super Production, em 2003 e 2004, Guiga ressalta que a prova deste ano contará com novidades que podem fazer muita diferença em relação às edições anteriores. Um exemplo, segundo ele, é a utilização obrigatória do Sentinel, dispositivo de segurança instalado em todos os veículos e motos que alertam para a aproximação de outro competidor.
“No Rally dos Sertões, os carros que andam no pelotão da frente acabam alcançando muitas motos retardatárias e o acionamento do Sentinel servirá como alerta para que elas facilitem as ultrapassagens, o que, além de evitar eventuais acidentes, permitirá que a prova tenha um ritmo forte”.
Outra modificação aprovada pela equipe Mitsubishi Racing foi a introdução do briefing escrito, seguindo o padrão do Campeonato Mundial de Rally Cross Country. No final de cada dia da competição, os participantes receberão todas as orientações da planilha impressas.
“Esse novo formato de briefing que o Rally dos Sertões está adotando ajuda bastante os pilotos e, principalmente, os navegadores”, explica Marcelo Vivolo, que teve experiência similar em março deste ano, quando a equipe disputou o Rally Por las Pampas Patagônia-Atacama, válido como etapa de abertura do Mundial de Cross Country. “O material por escrito traz um nível de detalhamento maior sobre cada etapa, aprimorando a interpretação e facilitando a troca de informações entre piloto e navegador”.
Lourival Roldan chama a atenção também para o novo formato de navegação da prova: “O ideal é ter uma padronização nas planilhas, seguindo uma mesma simbologia”, explica o navegador, que já participou de três edições do tradicional Rali Dakar. “Acredito que a mudança pode elevar ainda mais o nível técnico dos competidores brasileiros, que estarão a partir de agora mais ambientados com um sistema de navegação mais próximo das provas internacionais”.
A prova
Apontada pela comissão organizadora como uma das provas mais travadas da história do Rally dos Sertões, a edição deste ano promete cumprir à risca o conceito de rally cross country. Repleto de trechos mistos, a prova terá alternância de pistas a todo o momento, com pontes, erosões, lages, trials, subida de serra, travessias de rios, curvas sinuosas, lombas, areia, piçarra, cascalho, entre outros obstáculos.
Acostumado a altas velocidades, o piloto Ingo Hoffmann diz que prefere as disputas em piso duro, com ritmo mais forte, do que as provas travadas. “Gosto mais de provas em estradas de terra batida, onde é possível imprimir um ritmo mais veloz. Mas, os percursos travados também são interessantes, pois acabam testando bastante o entrosamento entre pilotos e navegadores, além de exigir mais dos veículos”, explica Hoffmann, piloto campeão do Rally dos Sertões na categoria Protótipos e vice na geral em 2004.
A terceira etapa, entre Palmas (TO) e Alto Parnaíba (MA), será a mais longa de todo o rally, com especial de 457 quilômetros e extensão total de 661 quilômetros em meio ao deserto do Jalapão. Essa será também a etapa maratona, em que os veículos não recebem apoio mecânico. Eventuais reparos só poderão ser feitos no dia seguinte, pelos próprios competidores, após a largada e com o cronômetro já aberto.
Durante os dez dias de competição, a equipe Mitsubishi Racing contará com um contingente de 28 pessoas, que inclui mecânicos, engenheiros, motoristas, cozinheira, massagista, profissionais de imprensa e logística, além da dupla de pilotos e navegadores. A infra-estrutura envolve três carros de apoio, dois motorhome, um caminhão oficina e um caminhão prancha com capacidade para até quatro carros.