Após quase 18 horas de vôo de Dakar para São Paulo (com escala em Lisboa), a Equipe Petrobras Lubrax desembarcou na capital paulista na noite de segunda-feira. Logo na manhã seguinte, a equipe formada por Jean Azevedo, Klever Kolberg, André Azevedo (pilotos), Eduardo Bampi e Maykel Justo (navegadores) concedeu uma entrevista coletiva em São Paulo, na qual descreveu suas experiências no Rally Dakar 2006.
Klever iniciou a coletiva apontando o saldo positivo da empreitada. “Nós tivemos muitas novidades para esse ano. Dois navegadores que estreavam no Dakar, a moto nova do Jean, uma equipe de apoio nova para o carro, e mais todas as novidades nas regras do Dakar 2006: a limitação no uso de GPS e o limite de velocidade. No geral, o saldo foi muito positivo. O André conseguiu uma excelente 4ª posição, o Jean estava em 8º quando sofreu um acidente, e nós estávamos em 13º, muito próximos do nosso objetivo que era ficar entre os 10 primeiros. Estávamos numa ótima ascendente, passamos de 28º para 13º em poucas etapas, mas então houve um problema mecânico que até agora a nossa equipe de apoio não soube explicar”, disse Klever.
“Por outro lado, o Eduardo Bampi, que fez sua estréia no Dakar, superou as minhas expectativas. É dele boa parte do crédito por estarmos ocupando uma ótima posição no momento do abandono. Ele mostrou segurança nas decisões. Naquele momento, nós éramos os primeiros colocados entre os competidores particulares, na nossa frente só havia equipes de fábrica. Na categoria T1, de carros a gasolina com preparação livre, estávamos na 5ª posição”.
O próximo a falar foi Jean Azevedo. Ele começou explicando que a maior dificuldade nos primeiros dias de prova foi o fato de ter conhecido sua nova moto KTM apenas poucos dias antes da largada. Jean é o único piloto fora das equipes oficiais da KTM a receber uma moto semelhante às que os chamados “pilotos de fábrica” possuem. “A moto era totalmente diferente, mais arisca, tive que me adaptar. Mesmo no momento do acidente (na 13ª etapa) eu ainda não estava aproveitando ela 100%”, disse o piloto. Sobre o acidente, ele afirma que caiu em um trecho cheio de perigosas valetas que não estavam marcadas na planilha. Nesse momento, todos os integrantes da equipe foram unânimes em afirmar que as planilhas fornecidas pela organização do Dakar deixaram a desejar no que se refere às informações do percurso.
Outro assunto abordado por Jean foi a polêmica penalização de 2 horas sofrida pelo piloto. “Tanto eu como outros competidores notamos que vários pilotos estavam desrespeitando os way points (pontos de passagem obrigatória). Eu já tinha perdido tempo ao dar meia-volta duas vezes para buscar way-points. Numa dessas vezes, resolvi seguir em frente, e foi quando sofri a penalização. O problema é que muitos dos que ignoraram os way points não foram penalizados, justamente os pilotos europeus. Eu, o chileno Carlos de Gavardo e o australiano Andy Caldecott fomos punidos. Entreguei uma carta à organização reclamando desse fato, o De Gavardo entregou outra, mas isso não vai mudar o resultado, claro. Para mim, os vencedores fizeram por merecer a vitória. O que nós queremos é que não haja nenhuma injustiça na corrida”.
André Azevedo estava nitidamente satisfeito com o 4º lugar na categoria Caminhões. “Pelas condições que enfrentamos, é um ótimo resultado. Nós começamos o Dakar muito bem, conseguimos um segundo e um terceiro lugar nas duas primeiras etapas, estávamos na vice-liderança e isso era mais do que esperávamos. Mas em Málaga (Espanha), o câmbio começou a ter problemas: engatar a 5ª e a 6ª marchas tornou-se um suplício. Pilotar o caminhão ficou muito difícil, porque nós evitávamos ao máximo utilizar essas marchas. E depois tivemos um incidente com uma pedra, que rasgou o pneu e quase quebrou o eixo dianteiro. A partir daí, por mais que nossa equipe consertasse os estragos, tivemos que poupar o equipamento, temendo que ele não agüentasse chegar até Dakar. Por tudo isso, considero o 4º lugar um ótimo resultado, ainda mais se pensarmos que largaram de Lisboa cerca de 69 caminhões e nós superamos a maioria deles”.