Dakar: Pilotos fazem doação na Mauritânia

Enquanto os mecânicos brasileiros davam duro para recuperar a moto, o carro e o caminhão da Equipe Petrobras Lubrax, os pilotos Jean Azevedo, Klever Kolberg e André Azevedo utilizaram o dia de descanso para prestar solidariedade às crianças de Nouakchott, capital da Mauritânia. O trio distribuiu 70 camisetas do Brasil para meninos e meninas na ONG Caritas, na periferia da cidade.

“Sempre trazemos grandes lembranças da África e nunca é demais deixar alguma lembrança também”, disse André Azevedo, piloto do caminhão Tatra. Do aeroporto até a sede da ONG, meia hora de táxi por uma rua de asfalto ladeada de casas de barro e em meio a um trânsito desordenado e tomado por carros caindo aos pedaços. A grande maioria das demais ruas de Nouakchott é de areia. Desde os anos 60, a região passa por um rigoroso processo de desertificação. Os fortes ventos, comuns na cidade, levantam a areia e colocam certos pontos da cidade debaixo de uma constante névoa.

“É muito bom ver o sorriso no rosto das crianças”, disse Jean sobre um país no qual a taxa de analfabetismo supera os 50% da população. Klever Kolberg também mostrava satisfação com a doação, feita por volta do meio-dia (horário local) deste domingo. “No rali, vemos muita pobreza. É bom poder parar o carro por um dia e ajudar de alguma forma”, afirmou o piloto.

Minutos depois de conseguir, com muita habilidade, organizar a fila formada por dezenas de crianças, Diallo Amadou Maia, diretor da ONG agradeceu aos brasileiros. “Somos muito grato por esta gentileza”, disse. “Mais do que nunca, vamos torcer por vocês no rali e pela seleção brasileira na Copa do Mundo”, afirmou Amadou. Desde 1990, quando foi criada, a Caritas já atendeu mais de 22 mil crianças. “São mais de 1.400 crianças por mês”, calculou o diretor. “Desnutrição, desidratação e questões pré-natal são os principais problemas que chegam a nós”, revelou.

À tarde, os pilotos voltaram para o acampamento onde acompanharam os ajustes feitos nos veículos. O motor da KTM de Jean Azevedo foi trocado. “É apenas uma precaução”, disse o mecânico Geraldo Lima. Jean vem subido de posição a cada etapa e chega à metade do rali em nono lugar, colocado o oitavo e no sétimo. “Vou para a barraca e descansar. Ainda tem muita prova pela frente.”

Ronaldo Pinto e Mira Martinec também não tiveram descanso nesta parada do Dakar. Ambos tentavam deixar o Tatra de André Azevedo pronto para a segunda metade da prova. Depois de se firmar entre os três mais rápidos no Dakar, o veículo apresentou problemas mecânicos na suspensão e no câmbio, derrubando a equipe para a 5a posição.

Os mecânicos da Tibau, equipe encarregada de tomar conta do Mitsubishi Pajero da dupla Klever Kolberg/Eduardo Bampi utilizaram o dia de folga (do rali) para acertar alguns problemas apresentados pelo carro nas últimas etapas. “Agora é a hora de descansar, de deixar as dores no corpo diminuírem. Até amanhã, a vontade de pilotar já vai ter voltado”, garantiu o piloto, que ao lado do navegador Eduardo Bampi ocupa a 13ª colocação na prova.