O sexto lugar na etapa de hoje, entre as cidades deZouerat e Atar, na Mauritânia, colocou Jean Azevedo de novo na briga entre os dez pilotos mais rápidos do mundo. Mostrando uma recuperação incrível desde que o Dakar pisou na África, o brasileiro foi o sexto na etapa do dia e subiu para a nona posição na classificação geral. “Peguei o ritmo do deserto. Daqui pra frente, tudo pode acontecer”, disse Jean, minutos depois de chegar ao acampamento montado ao lado aeroporto de Atar. A reação de Jean lembra a do ano passado, quando o piloto também saiu da Europa em posição pouco confortável, mas chegou a Dakar na sétima posição.
Além de estar andando no mesmo ritmo dos pilotos de ponta, Jean acredita que a pequena diferença entre os primeiros colocados deve causar surpresas no pelotão de frente. Apenas 7 minutos e 28 segundos separam o espanhol Marc Coma, líder da prova, de seu compatriota Esteve Pujol, 3º colocado.
Para o brasileiro, a etapa de hoje foi a mais dura do Dakar 2006. “Foram 499 quilômetros de ervas de camelo, dunas e pedras”, contou. Por ervas de camelo entenda-se a vegetação rasteira típica do deserto da Mauritânia. Aparentemente inofensiva, as plantas são como pedras, podendo causar tombos e furos de pneus. “Estava tão cansado e nervoso com o tamanho da Especial que resolvi acelerar fundo para terminar o mais rápido possível”, brincou Jean. Segundo o piloto, as dunas de hoje ainda não trouxeram muito sérias para os motocicletas. “Amanhã, elas devem ser maiores”, diz.
Nova polêmica sobre o way point
Jean voltou a criticar a organização pela complacência com os pilotos que não estão respeitando os way points – pontos no deserto determinados pela organização pelo qual os competidores precisam passar obrigatoriamente. A pena para os infratores, segundo o regulamento, é de 5 horas. O piloto já havia se queixado nas etapas de ontem e anteontem, quando, no seu ponto de vista, pelo menos dois pilotos (ele prefere não citar os nomes) teriam ignorado o primeiro way point da planilha.
Hoje, o chileno Carlo de Gavardo, vencedor da etapa e segundo colocado na classificação geral, reclamou de outro piloto de ponta que teria burlado um way point. Até agora, ninguém foi punido. “Os europeus parecem ser beneficiados”, lamentou Jean.