Uma das principais características do Dakar é a mudança do percurso todo santo ano. Meses antes da largada, a organização informa quais serão os países que receberão a prova, os pontos onde ficaremos acampados e as distâncias entre eles. Nesta edição, com largada marcada para Lisboa (Portugal) no dia 31 de dezembro atravessaremos para a África e cruzaremos o Marrocos, a Mauritânia, o Mali, a Guiné e o Senegal, para chegar a Dakar no dia 15 de janeiro de 2006.
No entanto, o trajeto exato fica guardado a sete chaves e só é apresentado na véspera de cada dia. Quando você completa a etapa, na chegada ao acampamento, recebe a planilha com as orientações para o dia seguinte. Não bastasse a escassez de informações, neste Dakar teremos que conviver com duas importantes novidades.
A primeira delas é a troca da pessoa responsável pelo levantamento do percurso. Isto significa uma interpretação diferente dos perigos do percurso. Explico: na planilha são anotados os pontos de risco do caminho com uma graduação de zero a três exclamações. Mas será que o que era perigoso para um é para o outro?
A segunda novidade é a quase total proibição do uso do GPS. O aparelho de navegação por satélite passou a fazer parte do Dakar em 1992, deixando a planilha e o hodômetro quase esquecidos. Na hora do sufoco, bastava olhar a seta no GPS para saber qual direção seguir. Nestes 18 anos de experiência no Dakar, podemos dizer que o GPS foi, sem dúvida, a maior mudança que vivenciamos. A partir de 2000, a organização começou a criar regras para que a navegação novamente voltasse a ser feita pelo ser humano.
Para o Dakar 2006, eles foram radicais: em 99% do trajeto, não haverá GPS, apenas a bússola. O navegador será valorizado, transformando a prova. Os já inevitáveis erros de navegação serão mais freqüentes, o que vai manter o resultado aberto até o último quilômetro. Apesar da volta radical ao passado, é isto que nós chamamos de um novo caminho.