A 13ª edição do Rally Internacional dos Sertões chega em Goiânia, depois de dez dias rodando pelo interior do País, sem sujeira nas trilhas, nos acampamentos e nem nos boxes. Para Flávio Piassi, coordenador dos Canastras, o mais importante é conscientização de toda família Sertões de como cuidar de seus lixos. “Hoje, competidores, pessoas das equipes de apoio, organizadores e jornalistas nos procuram para pegar os materiais de coleta. Não encontramos mais tanto lixo espalhado nas largadas e nem nas trilhas. Isso nos faz sentir orgulhosos”, afirma Piassi.
Segundo ele, neste ano, os Canastras deram um grande passo para frente. “Agora somos nove pessoas tentando salvar o meio ambiente. Trouxemos um pessoal só para cuidar dos boxes e dos acampamentos, entregando sacos plásticos biodegradáveis, sacolinhas para todos os carros do rali, tubinhos de filme fotográfico para bitucas de cigarro e uma cartilha com descrições de procedimentos de como, quando e onde fazer a coleta. Agora podemos nos preocupar apenas com as trilhas”, explica o coordenador. Flávio ainda conta que 15 dias após o rali será entregue para a Dunas Race, empresa organizadora do Rally Internacional dos Sertões, um relatório de diagnósticos sobre o que foi feito durante toda competição.
Enquanto seis integrantes dos Canastras ficam nas cidades, três seguem as planilhas para não deixar escapar nada. “Os Canastras estão ampliando o serviço de apoio da organização. Além do lixo, pegamos também os carros que ficam quebrados no meio das especiais. Estamos sempre em contado com a equipe aérea, via rádio. Com isso, podemos saber onde estão as peças, pedaços, ou até mesmo os carros. Como vamos acompanhados por um caminhão guincho, podemos retirá-los e levá-los para os boxes”, diz Piassi.
De acordo com ele, a coleta dos resíduos deixados nas trilhas foi bem positiva. Tudo que os pilotos ou mecânicos nos pediram foi encontrado, não deixamos nada para trás. “Durante essa edição, fizemos até duas contenções de óleo em dois riachos por onde a competição passou. Usamos um absorvente industrial ecológico chamado Ecosorb. Esse produto reage apenas com o óleo, não absorvendo a água.”
Piassi ainda conta que nesse ano as especiais foram muito “duras” e que exigiram muito da experiência da equipe. “Dos 10 dias de prova, cinco chegamos nas cidades-destino depois da meia-noite e nenhuma antes das 22 horas.” Ele diz que a mais complicada foi no Jalapão. “Entramos à meia-noite e saímos às 17 horas. Haviam três carros travados no areião. Foi bem complicado fazer os resgates naquele tipo de terreno.” Piassi afirma que na etapa que ligava Cavalcante a Padre Bernardo, a cada 4 quilômetros era encontrada uma lata de cerveja. “Esse tipo de coisa que nos atrapalha bastante. As especiais já eram longas e com alto grau de dificuldade, ainda tínhamos que parar de 50 em 50 metros. Chegamos a fazer 10 quilômetros em 7 horas.”
De acordo com Flávio Piassi, não existe em nenhum outro rali no mundo que tenha esse tipo de trabalho ambiental, melhorado a cada ano, com apoio da organização. “Estamos vendo o nosso progresso. Durante toda edição do rali, encontramos cerca de 250 quilos de resíduos. Entre eles estavam pedaços e carro (fibra), pneus, pára-brisas (vidro), e demais peças. Já materiais como papeis, bumps, papelões, alumínios, entre outros, foram recolhidos apenas 2 mil litros. Esse número é bem parecido com o do ano passado, mas não podemos esquecer que o número de pessoas envolvidas no Rally dos Sertões de 2005 é bem maior que o do ano passado e que as especiais desse anos foram bem mais difíceis. Todo mundo está usando e ajudando e recolhendo os lixos durante todo o rali, isso faz com que nossa motivação lamente para os próximos anos”, conclui.
O Rally Internacional dos Sertões é organizado e promovido pela Dunas Race e tem patrocínio do Banco Real, Ipiranga, Goodyear e Siemens em parceria com a Brasil Telecom. O co-patrocínio é da Volkswagen Caminhões, TAM Viagens e apoio da Mitsubishi, Governo de Goiás e Governo do Tocantins. Supervisão da CBA (Confederação Brasileira de Automobilismo) e CBM (Confederação Brasileira de Motociclismo).