A navegação foi um dos grandes desafios para os participantes da terceira edição do Rally Rota Sul, que está sendo disputado neste sábado e domingo na região de Itapeva, ao sul do estado de São Paulo. Manter a concentração na planilha que indica o caminho foi tarefa difícil diante da paisagem dominada por cânions e áreas de reflorestamento de pinheiros e pínus. A prova é válida pela Taça Brasil de Rally de Regularidade, que reúne as cinco maiores competições do gênero no país: Rota Sul, Rally dos Sertões e Rally dos Amigos, organizadas pela Dunas Race, e Rally Mercosul e Rally do Agreste.
O regularidade é a nova aposta da Dunas, que também organiza ralis para eventos de empresas. Nesta modalidade, os competidores devem percorrer o trajeto em um tempo determinado, pois atrasos e antecipações são punidos com perda de pontos, o que influencia no resultado final.
A competição deste fim de semana foi dividida em duas etapas. A de sábado teve 274 quilômetros e a de domingo será mais curta, com 189. A disputa está dividida em duas categorias: Graduados, para os mais experientes e que permite o uso de todo equipamento eletrônico de navegação, e Turismo, para os iniciantes, tanto em carros quanto motos. Nos dois casos os participantes puderam unir o desafio à diversão.
Neste primeiro dia, após a saída de uma praça em Itapeva, os competidores atravessaram as cidades de Nova Campina, Bonsucesso de Itararé, Apiaí e Ribeirão Branco, antes de retornar ao ponto inicial. Foram quase 9 horas de disputas e muitos carros chegaram quando já estava noite.
Labirinto
Flávio Fleury, piloto da moto número 1, a primeira a chegar ao centro de eventos no centro da cidade, ficou satisfeito com o que enfrentou. “A organização está de parabéns porque fez o que prometeu e conseguiu unir carros e motos. Geralmente, o trajeto é pensado para carros. Eu me perdi porque, de repente, você fica 15 minutos sem fazer nada e aparece uma entrada que você não percebe porque ficou olhando em volta. Nunca vi tanto eucalipto, tanto morro. Com certeza, se tiver a chance de participar de novo de um evento assim, não vou perder”, diz.
Para ele, o percurso ‘light’ é bom porque permite aproveitar mais a prova. “É maravilhoso, mas você tem que ficar muito concentrado. Se errar, tem que voltar na contramão acelerando para compensar o tempo perdido. Pra mim, que fui o primeiro a largar, é ainda mais difícil”, lembra Fleury.
Mesmo com a organização tendo pessoal dedicado para abrir as porteiras e eliminar os obstáculos que vinham impedir a passagem das motos e carros, imprevistos acontecem. “Encontrei uma vaca deitada no meio do caminho, tentei passar pelo canto, mas ela veio na minha direção. Deixei a moto e saí correndo, mas ela só saiu da frente para eu passar”, conta.
Neste domingo, os cerca de 50 carros e 30 motos que estão no Rally Rota Sul de Regularidade, terão outra chance de testar suas habilidades em meio às belezas do Sul de São Paulo. A largada da primeira moto está marcada para as 7h30 e o primeiro competidor deve chegar ao ponto final por volta do meio-dia.
O que eles disseram sobre o primeiro dia do Rota Sul
Antonio Della Torre, piloto de carro
“Essa prova vai ser uma briga de gente grande porque é bastante técnica, com vários tipos de terreno. Você tem que dosar muito a aceleração e enfrentar lama, pedra. Gostei bastante.
Magno Junqueira, piloto de carro
“Foi tranqüilo. Comecei errando, mas consegui me acertar rápido porque a planilha estava impecável.”
Minae Miyauti, navegadora
“Amei a prova. Achei que ia ser mais rápida, mas teve muita precisão. Demorei para me achar com o hodômetro. Só consegui me achar faltando pouco mais de uma hora para acabar. Espero acertar amanhã (domingo), quando acho que a disputa vai ser mais forte.”
Charles Baccan Junior, navegador
“Estou conferindo os números porque gosto de fazer minha conferência para bater com a da organização e ver onde eu errei. Prefiro as provas de regularidade e achei que esta foi muito bem elaborada e fomos bem.”
Cleber Gomes, piloto moto
“A prova foi tudo o que eu esperava. Só achei que a velocidade poderia ser um pouquinho maior. Talvez cinco quilômetros a mais já melhorariam. Não encontrei nenhum problema com a planilha.”
João Carlos Fernandes, piloto moto
“Foi uma prova dura. Não consegui apreciar a paisagem porque tinha muita ‘pegadinha’ e me perdi duas vezes.”
Detalhes do roteiro do Rota Sul
1o dia – sabado
Total: 274 km
Média de velocidade: 50 km/h (carros) e 60 km/h (motos)
Tempo de prova: 8h35 (carros) e 8h40 (motos)
2o dia – domingo
Total: 190 km
Média de velocidade: 50 km/h (carros) e 60 km/h (motos)
Tempo estimado de prova: 5 horas para carros e motos