Pilotos comentam “trabalho gratificante” como coach na Porsche Cup

Ser piloto profissional nem sempre significa sentar em um carro e acelerar. Há aqueles que assumem a missão de ajudar outros competidores com sua experiência ao assumir o papel de coach, função essa bastante comum no paddock da Porsche Cup.

A categoria abriu a temporada 2021 no final de maio. A primeira rodada dupla do calendário aconteceu no Velocitta, localizado em Mogi Guaçu, interior de São Paulo, e Átila Abreu e Vitor Baptista estiveram no circuito, mas para desempenhar do lado de fora do traçado.

Atualmente na Stock Car em período, Átila esteve na pista para seguir seu trabalho com Léo Sanchez, com quem engrena sua terceira temporada juntos. Falando com exclusividade do F1Mania.net, o piloto natural de Sorocaba afirmou que “o papel de coach é um trabalho bem bacana porque você passa algum conhecimento que você adquiriu ao longo da sua carreira. Venho fazendo esse trabalho com Léo Sanchez nos últimos três anos, essa é a terceira temporada e tem dado resultado.”

“Esse final de semana ele está correndo duas categorias, tem sido um pouco mais difícil porque os carros são diferentes, controle ABS, motor é mais forte, tudo. Então tem sido um pouco mais intenso, sai de um carro e entra em outro, mas tem sido muito prazeroso passar esse conhecimento quando a gente vê que traz o resultado”, continuou.

Porsche Cup Velocitta Léo Sanchez
Léo Sanchez une forças com Átila Abreu na Porsche Cup (Foto: Luca Bassani)

Já Vitor, campeão da Porsche GT3 Cup 3.8 em 2018 tem trabalhado de perto com Cristian Mohr. “Tem sido um desafio. Na verdade, comecei no ano passado profissionalmente como coach e o Cristian é praticamente o segundo ano que trabalho com ele, ano passado fez quatro etapas da Porsche”, disse Baptista ao F1Mania.net.

“Já trabalhamos juntos, teve vitória, teve uma boa estreia dele, um retorno para o automobilismo muito bom. É um cara muito fácil de trabalhar, é um adulto que escuta o mais jovem, tenho 23 anos”, continuou o piloto.

“Então, acaba tendo um pouco daquela dúvida de será que dá para escutar tudo? Entende super a parte da minha experiência, meu conhecimento que carrego do automobilismo, então, temos trabalhado muito bem junto. Tem muita velocidade, inteligente na corrida e vamos focar esse ano para ir em busca do campeonato”, completou.

Baptista, com experiência em tantas categorias, acredita que ajuda na hora de guiar um piloto na Porsche Cup? “Ajuda sem dúvida. Ajuda o fato não só o fato de você passar por tudo o que hoje estão passando, mas o fato de conhecer a categoria como conheço, de ter vencido o campeonato em 2018, de 2019 ter andado no 4.0. Toda essa parte de sinergia não só da equipe, do carro, mas tudo influencia e tudo ajuda muito”, pontuou.

Porsche Cup Velocitta Critian Mohr
Cristian Mohr (Foto: Luca Bassani)

Átila seguiu o discurso do colega de profissão, ressaltando que “ajuda porque o papel do coach, muito do seu trabalho é passar experiência de automobilismo, de vivência. Não só correr na Stock Car, mas também de outras categorias. De qualquer maneira, uma das coisas que o coach faz de quinta-feira é entrar no carro para ajudar a acertar no equilíbrio do carro.”

“Uma coisa é você criar uma volta referência com o seu carro e não com um carro diferente, pois os carros podem ter reações diferentes. Mas você anda no carro do piloto e depois ele anda em cima, você tem como fazer uma comparação igualzinha porque é o mesmo pneu. Fica mais fácil de o piloto saber onde é o limite do carro e tentar acompanhar. Uma das funções do piloto também é acertar o carro, o equilíbrio do carro para o piloto”, continuou ao F1Mania.net.

Ao ser questionado se era mais fácil ficar dentro do carro do que fora, Abreu admitiu que “é muito mais fácil estar dentro. A única coisa que não é tão fácil foi como ontem [sábado, 29 de maio] quando começou a chover no grid, aquela situação que naquela hora era mais fácil estar do lado de fora, é mais tranquilo.”

“Mas do resto, estar dentro do carro e poder fazer alguma coisa, pelos seus meios tentar fazer alguma coisa é mais fácil. Mas é muito prazeroso quando você consegue passar, o piloto assimilar e juntos conseguirmos executar nossos objetivos. É um trabalho diferente, mas tão prazeroso quanto”, continuou.

“É difícil de qualquer forma, mas isso começou cedo para mim, pois vi sempre meu irmão andando. Como sou o irmão mais velho, cinco anos mais velho, pude sempre passar um pouco do conhecimento. Mas posso dizer que do lado de fora é um pouco mais difícil do que dentro”, comentou Vitor.

Durante o final de semana no Velocitta, Mohr, pupilo de Baptista, mostrou bom resultado ao longo do final de semana, mesmo com alguns obstáculos como punição e estouro de pneu. Vitor finalizou dizer que “é gratificante ver que está conseguindo encaixar tudo o que temos falado do lado de fora.”

“Obviamente que o talento e dedicação dele ajudam muito, mas ver o trabalho funcionando dessa forma é muito gratificante. Ontem, teve problema na largada, recuperou tudo com ultrapassagens muito limpas e fortes, meio que profissionais mesmo, ter noção da velocidade, ponto de frenagem”, encerrou ao F1Mania.net.