Mulheres no automobilismo: esporte começa dar passos em direção à inclusão

O assunto de inclusão e diversidade no mundo do esporte a motor tem ganhado cada vez mais espaço e atenção. Categorias estão criando programas para movimentar a pauta, enquanto pilotos também buscam tocar no assunto para conscientizar.

Um grande exemplo que existe atualmente é Lewis Hamilton. Único negro na F1 e um dos pilotos mais bem-sucedidos da categoria, o inglês usa sua relevância e plataforma para promover diversos debates como racismo e incentivo a grupos minoritários e subrepresentados.

O caminho ainda é longo a ser percorrido e há muito que ser feito, mas nos últimos anos, pequenos passos têm sido dados para promover a diversidade. Um ponto que tem sido observado, por exemplo, é a quantidade cada vez maior de mulheres envolvidas nas mais diferentes categorias e cargos.

Na F1, por exemplo, existe Stephanie Travers, engenheira de fluídos da Petronas na Mercedes, há a Ruth Buscombe, estrategista da Alfa Romeo, Silvia Frangipane, responsável pela comunicação na Ferrari, Bernadette Collins, também estrategista, mas na Aston Martin, entre tantas outras.

Mas não é apenas na principal categoria que as mulheres estão cada vez mais imersas. Hoje existe a W Series, categoria exclusivamente feminina, a Extreme E, que prega a igualdade de gênero no grid com pilotos e pilotas na mesma quantidade, programas como o Fia Girls on Track que busca competidoras para a Academia da Ferrari, e Drive for Equality and Change, na Indy, que inclusive apoiou o time totalmente feminino Paretta Autosport nas 500 Milhas de Indianápolis em 2021.

Sabré Cook disputou as duas temporadas da história da W Series. Antes, teve larga passagem pelas categorias de base dos Estados Unidos e aproveitou para destacar como o cenário mudou desde que começou a correr.

“Sim, absolutamente [vejo mulheres com mais oportunidades]. Acho que tudo está mais aberto às mulheres nos dias de hoje, não apenas o automobilismo”, contou com exclusividade ao F1Mania.net.

No Brasil, há uma grande representante feminina das pistas que marcou história nos Estados Unidos: Bia Figueiredo. A competidora correu na Indy lights e se tornou a primeira, e única, mulher a ter vencido na categoria. Depois, chegou a disputar na Indy.

Mas mais do que isso, a ex-Stock Car também chegou a andar na temporada do WeaterTech SportsCar, ou IMSA, principal categoria de corridas de longa duração dos EUA. Na época, fez trio com Christina Nielsen e Katherine Legge e falou da experiência.

“Desde 2019 tenho companheiras mulheres. Corri a IMSA toda de Endurance e vi um negócio muito especial, pois, no final do dia, nossas lutas são muito parecidas”, comentou.

“Não nos falamos muito, mas quando vemos o histórico passamos por muitas coisas parecidas, quebrar barreiras, estar envolvidas com homens de ganhar o respeito, conseguir o patrocínio. Então, as histórias são muito parecidas”, completou.

Já Rebecca Busi ainda é nova no mundo da velocidade. Com 25 anos, vai disputar sua primeira corrida em janeiro próximo, e nada menos que o Dakar. “Eu me inspirei em muitas mulheres que correram no Dakar. Acredito que essa é uma corrida que traz igualdade porque se você tem o carro, a coragem e o carro esteja bom, você pode correr tanto quanto qualquer homem e é isso que gosto”, contou ao F1Mania.net.

“Nada pode te parar com o carro. Com a moto é um pouco difícil e por isso a Laia Sanz é quase uma deusa. A moto é difícil com o corpo e tudo. Com o carro, você pode mostrar seu potencial e isso é incrível”, seguiu a italiana.

Por fim, Sabré também deu sua visão sobre iniciativas como o We Race as One na F1 e o Race for Equality and Change na Indy. “Acho que traz atenção para isso, mas a menos que tenham pessoas ativas fazendo escolhas diferentes e colocando esforço para fazer mais inclusivo, faça mudanças não apenas nas atletas esporte a motor, mas também nos negócios”, pontuou.

“No fim do dia, automobilismo é liderado pelo dinheiro, e se o não for aplicado na diversidade e nos lugares certos, não importa o quanto fala sobre isso, é preciso ver a mudança. Nunca tivemos tantas mulheres CEO, então, se conseguirmos encorajá-las a investir mais na diversidade e inclusão, é onde a mudança vai acontecer”, concluiu.