Na relação dos pilotos convidados para o Desafio das Estrelas, o paulista João Paulo Bertuccelli é um dos menos conhecidos do público. Sua carreira nas pistas não foi além da temporada inaugural da Fórmula Renault brasileira em 2002. Desde então, vem correndo ocasionalmente em provas de kart. Mas conviveu durante anos com Felipe Massa no kartismo e sempre esteve certo que o colega – com quem venceu a edição inaugural das 500 Milhas da Granja Viana em 1997 – era um talento muito acima da média. “Sou suspeito para falar, porque somos amigos. Mas piloto como ele nasce de tempos em tempos. A Ferrari se deu muito bem ao contratá-lo”, afirma.
Com 22 anos, Bertuccelli não conseguiu escapar de um problema que por pouco não jogou óleo nas curvas da estrada que conduziu Massa à Fórmula 1: a falta de patrocínio. “Minha única dúvida em relação ao destino do Felipe era essa. Ele não tinha dinheiro para fazer carreira. Mas sempre foi um fora-de-série e acabou encontrando quem o apoiasse”, observa, ainda sonhando ingressar na Stock Car. “É muito caro. Estou tentando, mas sabe como é…”, lamenta.
Resignado com as incursões pontuais ao lado de nomes que abrilhantarão a prova deste domingo no Kartódromo Toca da Coruja, em Bauru, Bertuccelli está com o Plano B em pleno andamento. Atualmente, cursa o quarto ano de Psicologia na Universidade Paulista – Unip, em São Paulo. E ainda se vira como professor particular faixa de jiu jitsu. É faixa marrom, penúltimo degrau do esporte. Entre seus alunos atuais está o piloto Felipe Giaffone; dos antigos, destaca-se Tuca Rocha, atual reserva de Nelsinho Piquet na A1 GP.
“Sempre falei para meus contemporâneos das pistas: é preciso fazer alguma outra coisa além de correr, senão depois vocês não vão saber nem amarrar sapatos”, comenta Bertuccelli, que guarda da histórica vitória na Granja Viana um episódio que jamais esqueceu envolvendo o novo ferrarista. “Antes da largada, o Tony Kanaan dava entrevista para uma tevê quando passamos por ele. O Felipe parou e disse para o repórter: quando eu ganhar a corrida, você vai querer falar comigo e eu não vou te atender. Mas claro que era brincadeira. No final, vencemos mesmo e o jornalista veio conversar com a gente. O Felipe fingiu que não ia dar a entrevista, mas era só para zoar com o cara…”