Fórmula 2 estuda manter a América do Norte de forma permanente no calendário

A estreia da Fórmula 2 na América do Norte pode representar o início de uma presença fixa da categoria no continente. Após o final de semana considerado bem-sucedido em Miami, dirigentes da Fórmula 2 já discutem a possibilidade de transformar corridas nos Estados Unidos e no Canadá em etapas permanentes do calendário.

Essa movimentação ganhou força depois que a categoria precisou reorganizar sua temporada de 2026, devido ao cancelamento das etapas do Bahrein e da Arábia Saudita por causa de tensões geopolíticas. Para evitar um intervalo de quase três meses sem corridas entre Austrália e Mônaco, a Fórmula 2 foi adicionada aos finais de semana dos GPs de Miami e do Canadá da Fórmula 1.

A corrida em Miami marcou um momento histórico para a categoria de base. Pela primeira vez, a Fórmula 2 cruzou o Atlântico para competir na América do Norte, algo que nem mesmo a antiga GP2 havia feito anteriormente. A corrida Sprint foi vencida por Nikola Tsolov, da Campos Racing, enquanto a corrida principal terminou com vitória de Gabriele Mini, da MP Motorsport.

O CEO da Fórmula 2, Bruno Michel, admitiu que já existem conversas sobre um possível retorno à América do Norte no futuro. Segundo ele, Montreal surge como uma possibilidade mais simples, enquanto Miami apresenta desafios maiores por conta da estrutura do evento e das categorias de suporte já existentes.

“Estamos discutindo isso. Com Montreal, realmente estamos conversando. Miami é um pouco mais complicado por uma razão simples: Miami já tem corridas de suporte, e elas são boas. Há os troféus da Porsche e da McLaren, então não foi fácil”, afirmou Michel.

Fórmula 2 estuda manter a América do Norte de forma permanente no calendário
Foto: Dutch Photo Agency

O dirigente explicou ainda que a Fórmula 2 hoje depende completamente da estrutura operacional da Fórmula 1, o que impede a realização de eventos independentes. Segundo Michel, sistemas como direção de prova, DRS e toda a operação técnica tornam inviável organizar corridas fora dos finais de semana da categoria principal: “Não podemos mais fazer eventos independentes. Estamos muito integrados aos sistemas da Fórmula 1, com FIA, direção de prova e DRS. Seria quase impossível competir da mesma maneira sem a Fórmula 1”, afirmou.

Michel também destacou a importância estratégica do mercado norte-americano para o futuro da categoria. O CEO acredita que correr nos Estados Unidos ajuda a aumentar a visibilidade da Fórmula 2 e pode aproximar mais pilotos americanos do caminho rumo à Fórmula 1: “É muito importante para a Fórmula 2 estar lá. É importante ser vista. Também é importante para que pilotos americanos queiram vir para a F2 e tentar chegar à Fórmula 1 depois disso. Tenho certeza de que haverá outras oportunidades, porque a F1 também corre em Austin e Las Vegas”, acrescentou.

Segundo Michel, a chegada à América do Norte exigiu uma grande operação logística e negociações aceleradas com Miami e Montreal. Ainda assim, o dirigente afirmou que o esforço valeu a pena e deixou claro que a categoria deseja fortalecer sua presença no mercado americano nos próximos anos.