As manifestações políticas no Bahrain, que já vitimaram quatro pessoas nos últimos quatro dias na capital Manama, respingou na GP2 asiática, que disputaria a segunda rodada dupla da temporada 2011 neste fim de semana no circuito de Sakhir. A revolta da população por uma reforma governamental (o Bahrain vive um regime de monarquia absolutista há mais de 200 anos) provocou um grande protesto na Praça da Pérola, na capital, e a repressão desses movimentos fez com que a equipe médica e o helicóptero do circuito fossem deslocados para os hospitais locais, para ajudar no resgate dos feridos.
Com isso, e buscando a melhor segurança de pilotos e equipes, os organizadores da prova foram obrigados a cancelar a programação da GP2 asiática. Único brasileiro na categoria, Luiz Razia está no Bahrain desde o início desta semana, e vem acompanhando de perto os acontecimentos locais. “Estava tudo bem até chegarmos, mas as coisas têm piorado a cada dia. Os protestos estão crescendo e a polícia, juntamente com o exército, decidiram fazer alguma coisa, então as ruas estão bloqueadas. É muita policia para todo lado; é um pouco assustador ver tanques de guerras nas ruas. Estamos lidando bem com a situação, mas, de qualquer maneira, as coisas não estão indo de acordo com o previsto. Os treinos livres e de classificação foram cancelados, pois não temos helicópteros e nem ambulâncias, pois os médicos estão um pouco ocupados com os protestos.”
O terceiro piloto do Team Lotus da F-1 conta que recebeu orientação do governo para não deixar o hotel. “As autoridades pedem para as pessoas saírem de casa. Nós teríamos de ficar no hotel, nós estamos no circuito no momento, mas as coisas não estão indo de acordo. Acho que a segurança não mudou, eles estão bem controlados, mas tem muita polícia na rua. As vias e estradas estão bloqueadas”, completa. A rodada dupla final está marcada para os dias 12 e 13 de março no mesmo circuito, mas como evento suporte do GP do Bahrain de Fórmula 1.