Quando os pilotos Luiz Razia, da Fórmula 3 Sul-Americana, e Daniel Landi, da Stock Car Light, entram na pista, um rosto que há quatro anos estava longe do ambiente das corridas analisa atentamente a tocada e o ritmo de volta de cada um. Na cabeça do novo engenheiro de pista dessas duas grandes promessas do automobilismo brasileiro, passam simultaneamente os dados transmitidos pelos pilotos e as reações que ele próprio sentia dos carros na época em que guiou nas Fórmulas 3, Chevrolet e Ford. Aos 26 anos de idade, com um diploma de Engenharia Mecânica tirado em 2001 e quase dez anos de experiência com carros monopostos e kart, Felipe Tejada ressurge para o automobilismo como o reforço que faltava no aprendizado desses dois jovens pilotos.
Trabalhando em conjunto com as equipes Dragão Motorsport – pela qual compete Luiz Razia – e Carreira Racing – time defendido por Daniel Landi – Tejada já acumulou bons resultados nas poucas provas em que deu assistência aos pilotos. “Minha função, principalmente com o Razia, é acompanhá-lo nas corridas e prepará-lo não só na parte técnica, mas também em outras questões que envolvem o desenvolvimento de um piloto, para que ele tenha condição de tirar o máximo desempenho de um carro de corridas”, explica Tejada. “Para isso, começamos a trabalhar na Fórmula Renault e na Fórmula 3, e o objetivo é continuar esse treinamento nas categorias européias, para que, dentro de três ou quatro anos, ele possa guiar um Fórmula 1”, ressalta o engenheiro.
E o trabalho está dando certo. Nas três provas em que Tejada trabalhou com Luiz Razia, o piloto do Distrito Federal conquistou duas pole positions e seu primeiro pódio na F-Renault, em Santa Cruz do Sul. “Começamos um trabalho em Brasília na semana antes da corrida, e o Luiz conquistou uma pole position e um terceiro lugar no grid. Fizemos também uma etapa do Brasileiro de Endurance no Rio de Janeiro e saímos na pole novamente. Encerramos esse primeiro mês de atividades com um pódio em Santa Cruz do Sul”, completa o engenheiro.
Contratado pela Dragão Motorsport, time de Luiz Razia na F-3 e na F-Renault, Felipe Tejada vê em Luis Trinci, o Dragão, a figura de um segundo pai. Ele próprio foi piloto da Dragão Motorsport quando correu nas Fórmula 3, Ford e Chevrolet, e deve boa parte de seu conhecimento técnico ao preparador – que é reconhecido como um dos maiores nomes do automobilismo nacional. “O Dragão é uma pessoa maravilhosa. Se eu cheguei a algum lugar como piloto, foi por causa dele, que sabe tudo e mais um pouquinho sobre carros de corrida. Me sinto muito honrado em poder somar esforços à equipe e ajudar o Luiz Razia a conquistar melhores resultados”, declarou Tejada.
O envolvimento de Felipe Tejada com o automobilismo começou cedo. Aos 16 anos de idade, ele começou a correr de kart indoor e, em 1996, passou a disputar os principais campeonatos do país. A estréia no automobilismo ocorreu em 1998 na Espron e na extinta Fórmula Ford, e as primeiras vitórias vieram na Fórmula Chevrolet. A carreira de Tejada nas pistas durou até 2001 e só foi encerrada pelo motivo que já afastou muitos talentos das pistas: a falta de patrocínio. “Quando ia me transferir para a F-3000 Internacional, uma cláusula contratual mal discutida cancelou meu patrocínio e, desde então, passei a me dedicar apenas à engenharia”, contou o ex-piloto.
Neste fim de semana, Felipe Tejada terá pela frente o desafio de ajudar Luiz Razia a conquistar sua primeira vitória no Campeonato Sul-Americano de Fórmula 3. A quarta rodada dupla do campeonato será realizada no circuito de Córdoba, na Argentina.