Rossi encerra era com aposentadoria da MotoGP e deixa marca impossível de se apagar

Uma era se encerrou na MotoGP. Nesta quinta-feira (5), Valentino Rossi, aos 42 anos, marcou uma coletiva de imprensa na Estíria para anunciar sua aposentadoria do Mundial de Motovelocidade ao final da temporada 2021. E pode ficar orgulhoso de tudo o que fez.

É verdade que nos últimos tempos os resultados já não vinham como estávamos acostumados a ver. A última vitória, por exemplo, veio no GP da Holanda de 2017, enquanto o último pódio aconteceu no GP da Andalucia de 2020. Entretanto, desde 2019, os abandonos têm sido mais frequentes do que os top-3 – foram 12 provas com zero contra três pódios.

Mas não é apenas uma porção de anos que vai apagar o tamanho e a história que o Doutor escreveu na categoria das duas rodas. Empilhando recordes ao longo dos anos e números impressionantes, o que fez e alcançou em 26 campeonatos é maior e mais significativo do que alguns acidentes e corridas sem pontos.

Valentino Rossi (Yamaha) - Catalunha MotoGP 2021
Foto: MotoGP

A estreia aconteceu no longínquo ano de 1996 – detalhe da editora: tinha apenas quatro anos! -, e já naquele ano alcançou sua primeira vitória no Mundial. Rossi começou com a Aprilia nas 125cc – atualmente Moto3 – e permaneceu por apenas duas temporadas, sagrando-se campeão no ano seguinte a da estreia.

Nos dois campeonatos seguintes, pulou para as 250cc – hoje chamada Moto2 – e encerrou a passagem pela classe com um vice-campeonato e um título. Portanto, em 1999 já tinha dois títulos mundiais nas duas categorias de acesso para a classe principal.

Foi em 2000, então, que Valentino saltou para a principal classe, hoje MotoGP, mas na época ainda com a nomenclatura de 500 cc. Sua história na categoria começou com a Honda, onde conseguiu 32 vitórias e mais três canecos.

Depois, entre as campanhas de 2004 e 2010, veio sua primeira passagem pela Yamaha. Em uma das parcerias de maior sucesso das duas rodas, o italiano e a marca japonesa conseguiram quatro títulos, além de um vice-campeonato e dois terceiros lugares. Neste ponto da carreira, já tinha conquistado seus nove campeonatos mundiais.

Valentino Rossi - Jerez MotoGP 2020
Foto: Yamaha

Então, Rossi teve um breve período na Ducati, moto famosa por sua difícil pilotagem, e com fase complicada, muitos acreditavam que era seu fim. Mas soube se reinventar, voltou à Yamaha e mais uma vez voltou a brigar por pódios, vitórias e títulos.

Foram apenas nos três últimos anos que o rendimento de Vale começou a despencar. Começou a ser presença cada fez mais rara nos pódios e depois mais rara ainda no top-10 – na temporada 2021, terminou uma única vez na décima posição em nove corridas.

Mas mesmo que a hora de aposentar a moto, sua marca é impossível de ser apagada. Rossi não apenas se tornou o piloto com maior número de largadas – 418 -, vitórias – 115 -, pódios – 235 -, títulos com diferentes motores – cinco -, carreira mais longeva com vitórias – 20 anos e 311 dias -, entre tantos outros recordes, como também transformou a MotoGP no que conhecemos hoje.

Quando chegou à sua melhor forma, influenciou os adversários a mudarem seus estilos de pilotagem. E não bastou isso, afinal, também soube se adaptar com a chegada do meteoro chamado Marc Márquez. E não a toa Vale tem arquibancadas lotadas com o famoso VR46 e suas cores.

Valentino Rossi - MotoGP - Circuito das Américas
Foto: Yamaha

Ainda, em tantos anos de MotoGP, Rossi invariavelmente é o mais velho do atual grid com seus 42 anos. Em fator de comparação, quando fez sua estreia no Mundial, oito dos atuais pilotos sequer tinham nascido – Iker Lecuona, Pecco Bagnaia, Jorge Martín, Luca Marini, Enea Bastianini, Álex Márquez, Joan Mir e Fabio Quartararo.

Rossi chegou a um ponto de sua carreira em que teve de tomar uma decisão: deixar o que mais ama ou continuar correndo por correr. A hora da aposentadoria pode ter chegado para o italiano, mas o que fez na MotoGP, no Mundial e no esporte vai ficar eternamente marcado.