O espanhol Marc Márquez, que quebrou o osso do úmero no braço direito em um acidente no GP da Espanha, abertura da temporada 2020 da MotoGP, deu uma entrevista nesta semana ao canal de YouTube da Repsol – patrocinadora principal da equipe Honda.
Ele falou bastante de sua recuperação, que já dura mais de dois meses. Inclusive, visivelmente o piloto parece mais magro, após ficar mais de um mês sem treinar para reabilitar seu braço direito. Nos antebraços, é também possível ver que Márquez perdeu muita massa muscular.
Entretanto, sua resposta mais contundente foi sobre a temporada de 2020.
“É estranho, porque parece que ninguém quer ganhar”, disparou.
“Ninguém quer estar no topo, quer dizer, é difícil de entender, mas se você é um piloto, pode entender um pouco. Uma coisa é ser um piloto que se vencer será fantástico e incrível, mas quando você é o piloto que precisa vencer, algo muda e você tem muito mais dúvidas, porque não sabe se deve atacar ou defender.”
“Você sabe quando você é o piloto que está em segundo lugar, terceiro lugar ou quarto lugar e você tem alguém pela frente, que você não tem nada a perder. Você apenas ataca e sua confiança aumenta porque você não tem nada a perder. Mas quando você está no topo e tem que vencer, é aí que as dúvidas começam a estar na sua mente, no seu corpo e fica mais difícil”.
Márquez disse também que esperava mais de Fabio Quartararo e Andrea Dovizioso neste ano.
“É difícil dizer, mas esperava mais deles. Principalmente do Quartararo, esperava muito mais porque ele venceu as duas primeiras corridas com um nível incrível, e agora não sei o que está acontecendo. Ele está com muitas dificuldades inclusive em um de seus pontos fortes: os treinos de classificação.”
“Mas o Dovizioso é consistente, ele está lá, mas precisa de mais velocidade se quiser ganhar o título. Vemos que Viñales está lá, Mir está lá. Quer dizer, temos oito, nove pilotos dentro de 25 pontos, então será interessante ver o final da temporada. E sim, vamos tentar vivenciar o show de dentro.”
Quanto a uma data para o retorno, Márquez preferiu não fixar um GP como meta. Em agosto, os médicos estipularam que Márquez deveria ficar fora de dois a três meses, retornando na pior das hipóteses na última corrida do ano, em Portugal.
“Eu li muitas perguntas: ‘quando você vai voltar?’ Não sei, não sei quando vou voltar”, disse.
“Espero voltar o mais rápido possível. Eu sinto que será mais cedo ou mais tarde, então isso é algo bom também.”
Confira o vídeo na íntegra (em inglês):
