Com a virada do ano, Andrea Dovizioso já não é mais piloto da Ducati e pode falar o que realmente deu errado na equipe italiana para fazer com que sua carreira de oito anos no time de Borgo Panigale terminasse de maneira conflituosa após oito temporadas.
Em entrevista ao jornal italiano Gazzetta dello Sport, Dovi culpou o diretor geral da Ducati, Gigi Dall’Igna, por sua saída e disse que jamais teve uma proposta para seguir na equipe.
“Qual é a relação com Gigi? Zero”, afirmou Dovizioso.
“Nos últimos anos era de 30%, desde que o Jorge Lorenzo chegou em 2017. Discutíamos e tínhamos confrontos. Minha equipe e eu ficávamos um pouco isolados. Já não falávamos sobre o desenvolvimento da moto, já não fazíamos reuniões para a desenvolver. Mas na Ducati há muito potencial, porque a competência e a habilidade são muito altas.”
“Desses oito anos, é a única coisa que me irrita, porque poderíamos ter feito mais. Gigi e eu não falamos com calma desde 2017.”
Dovizioso nega que a decisão de não seguir com ele tenha sido unânime entre os dirigentes da Ducati. “Estas decisões vêm apenas de Gigi”.
“Fala-se da Ducati, mas está errado porque todas as decisões são dele. Como a escolha do Lorenzo em 2017. No início de 2016 havia a possibilidade de termos Marc Márquez, mas Gigi já tinha decidido que queria Lorenzo.”
Dovizioso disse que seu destino foi selado quando ele e Dall’Igna brigaram durante uma reunião técnica em 2019 entre os GPs da Alemanha e da Áustria.
“Gigi falou que já tinha acabado na reunião de 2019 entre Sachsenring e Áustria”, acrescenta.
“Era para ser uma reunião técnica, tínhamos ideias diferentes, havia atritos e queríamos encontrar todos os engenheiros. Começou como uma reunião técnica, mas acabou como um confronto entre nós dois. Gigi se sentiu atacado, derrotado. Acho que naquele momento ele fechou as portas, mas fechou discretamente e o que ele diz confirma.”
“Disseram que eu queria várias coisas. Tudo mentira. Nunca houve oferta da Ducati para renovação, não houve negociação. Eu ainda não sabia que eles não me queriam mais.”
“Mas o que eles disseram foi a confirmação de que para Dall’Igna tudo já tinha acabado depois daquela reunião de 2019.”
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