Jaguar I-Pace eTrophy: Começaria tudo outra vez

Nas mãos de Sergio Jimenez e Cacá Bueno, equipe brasileira no primeiro campeonato de carros de turismo elétricos do mundo ajudou a ZEG, patrocinadora máster, a semear novos negócios em vários países, contribuiu para o marketing da Jaguar Brazil e ajudou o e-commerce iCarros a vender mais veículos

Já imaginou que maravilha seria se todo o lixo virasse combustível e energia? Isso é possível. E se tem uma coisa que a equipe brasileira ZEG iCarros Jaguar Brazil no Jaguar I-Pace eTrophy, o primeiro campeonato mundial de carros de turismo elétricos, ajudou a divulgar mundo afora é uma solução brasileira para geração de energia limpa, que é o negócio da ZEG, sua patrocinadora máster. A empresa paulistana, cujo nome significa Zero Emission Generation, produz biogás a partir de lixo orgânico, gera eletricidade e vapor para uso industrial a partir de resíduos sólidos, como plástico, e desenvolve projetos para geração de eletricidade a partir da água e do sol. Campeã na temporada 2018/2019, a primeira, do Jaguar I-Pace eTrophy, cujas provas são preliminares da Fórmula E, com Sergio Jimenez, e vice, com Cacá Bueno, a equipe chegou a Berlim, para a maratona de sete corridas a que se resumiu o resto da temporada 2019/1020 após a pandemia de covid 19, com Jimenez na liderança da competição depois das provas iniciais disputadas na Arábia Saudita e no México.

Independentemente do resultado na briga pelo título de bicampeã em jogo neste momento, ao deixar o aeroporto Tempelhof, em 13 de agosto, após corridas disputadas em três circuitos diferentes, a ZEG iCarros Jaguar Brazil terá encerrado um belo case de marketing esportivo. Ajudou a Jaguar a divulgar o I-Pace, o primeiro carro totalmente elétrico da marca. Ajudou o site iCarros a desenvolver um forte marketing de relacionamento com parceiros. E ajudou a ZEG a divulgar seus serviços para geração de energia limpa na Arábia Saudita, no México, na China, na Itália, na França, em Mônaco, na Alemanha e nos Estados Unidos, tanto por meio do marketing de relacionamento quanto por visitas e encontros para conhecer iniciativas locais em cidades onde a categoria correu, como Nova York.

Frederic Drouin - Jaguar
Foto: José Mário Dias

Todos saem tristes da segunda e última temporada do Jaguar I-Pace eTrophy, que será encerrado em decorrência da pandemia, conforme a montadora anunciou em maio. Mas saem realizados e cheios de ganhos. Frederic Drouin, diretor presidente da Jaguar Land Rover América Latina, lamenta o fim do campeonato: “Porém, fechamos com o senso de missão cumprida”. E o I-Pace, o primeiro veículo totalmente elétrico da Jaguar, tornou-se conhecido de muito mais gente no Brasil. Ricardo Bonzo Filho, CEO do iCarros, colheu “bom retorno” de mídia espontânea e “ótimo retorno” com ações de marketing, levando cerca de dez convidados a várias etapas: “Isso ajudou a estreitar o relacionamento com nossos parceiros”. De quebra, o patrocínio contribuiu para os negócios: “Com certeza, nos ajudou a vender mais carros. Por conta da maior proximidade com nosso cliente, criou oportunidades únicas de marketing de relacionamento e também ampliou nossa exposição de marca”. Tanto que ele até pensa na possibilidade de vir a patrocinar pilotos brasileiros na Fórmula E, disputada com monopostos elétricos. Daniel Rossi, CEO da ZEG, contabiliza a visibilidade internacional que o patrocínio proporcionou à marca: “Empresas de diversos países estão interessadas em desenvolver projetos com a ZEG”.

Ricardo Bonzo, Daniel Rossi, Cacá Bueno e Sergio Jimenez - Jaguar
Foto: José Mário Dias

Para os pilotos, foi uma experiência igualmente encantadora e lucrativa. Sergio Jimenez amou: “Ser o primeiro campeão mundial de carros elétricos de turismo fez com que eu fique nos livros da história do automobilismo”. Mas não foi só isso: “O trabalho que fizemos em levar convidados ao redor do mundo para participar de um final de semana, por exemplo, em Paris, para ver uma corrida no meio da cidade, jantar com os pilotos, conhecer esse evento que fala de sustentabilidade, e trabalhando por um mundo melhor, é um B to B (business-to-business, marketing entre empresas) tão fantástico que desconheço igual. Além disso, o projeto da ZEG é fantástico! O investimento para transformar lixo em energia e levar isso para as cidades pequenas, que é o grande problema do Brasil hoje, é espetacular! Tenho orgulho de representar uma marca dessa!”.

Cacá Bueno, que apresentou a ideia de uma equipe brasileira à Jaguar Brazil, conta que participar de uma categoria tão inovadora ficará marcado na sua carreira: “Não foi só pelas corridas. No eTrophy falamos sobre um futuro mais sustentável, inovação. A competição é mais um ingrediente dentre tantos outros. Criamos um time muito forte, com o qual conquistamos o título e o vice-campeonato na primeira temporada”. Para ele, a experiência trouxe ainda duas conquistas daquelas de emocionar piloto: “Fui o primeiro brasileiro a vencer uma corrida, em março de 2019, na China; e me tornei o quinto brasileiro na história a vencer uma corrida nas ruas de Mônaco”.

História linda. Mas tudo tem um preço. Embora valores não sejam revelados, não é difícil imaginar quanto investimento há para participar de um campeonato, que em sua primeira temporada foi disputado em oito países, com uma equipe brasileira. O que só foi viável graças à integração entre as empresas que bancaram o projeto, e envolveu a atuação da CB00 Marketing, que criou a estrutura para dar suporte aos pilotos e patrocinadores. “Nada disso seria possível sem o apoio da ZEG, do iCarros e da Jaguar Brazil. São grandes parceiros, que abraçaram a proposta desde o início e tornaram nosso projeto referência para a categoria no mundo inteiro”, Cacá comemora. Não fosse o encerramento das atividades da categoria, a Jaguar Brazil – que introduziu um terceiro carro no campeonato 2019/2020, pilotado por Adalberto Baptista na categoria Pro-Am, que corre no mesmo grid e pontua separadamente –apostaria novamente na equipe, revela Frederic Drouin: “Se o campeonato continuasse, com certeza, gostaríamos de renovar os contratos e manter a mesma estrutura vencedora”.

PING-PONG

COM DANIEL ROSSI, CEO DA ZEG

Daniel Rossi - Zeg
Foto: José Mário Dias

Por que a ZEG decidiu patrocinar a equipe brasileira no Jaguar I-Pace eTrophy?
Daniel Rossi: “Pelos seguintes motivos: pioneirismo; veículos elétricos acessíveis ao público em geral, tangibilizando a revolução energética de fato; conscientização da importância do uso de energia elétrica limpa para carregamento dos veículos elétricos; sinergia com a visão inovadora e disruptiva da ZEG; e mostrar a força esportiva e empresarial brasileira no exterior.”

Qual foi o retorno que ZEG obteve com esse patrocínio?
Daniel Rossi: “O principal objetivo com a parceria foi atingido, que foi mostrar ao público o pioneirismo e a criatividade que movem a ZEG. Queremos contribuir de forma decisiva na transição para a economia de baixo carbono por meio da viabilização de energia elétrica renovável para veículos leves em substituição à gasolina e viabilização de biometano para frotas pesadas em substituição ao diesel, buscando gerar outras externalidades positivas para o planeta, como a correta destinação de resíduos com nossas tecnologias waste-to-energy.”

Há brasileiros correndo na Fórmula E. Vocês consideram a possibilidade de vir a patrocinar algum deles?
Daniel Rossi: “Se entendermos que pode haver sinergia entre a visão da ZEG e a Fórmula E, sim. Temos contato direto com os pilotos do Brasil que correm na Fórmula E, e seria muito positivo que pudéssemos associar a inovação e solução ZEG com o talento dos esportistas brasileiros.”

COM FREDERIC DROUIN, DIRETOR PRESIDENTE DA JAGUAR LAND ROVER AMÉRICA LATINA

Frederic Drouin - Jaguar Land Rover
Foto: Divulgação

Por que a Jaguar Brazil abraçou decidiu ter uma equipe brasileira no Jaguar I-Pace eTrophy?
Frederic Drouin: “Brasileiros são apaixonados pelo esporte a motor e o Brasil sempre foi muito bem representado em todas as categorias internacionais do automobilismo. Em paralelo, a Jaguar está num momento muito exitoso nos últimos dois ou três anos aqui no Brasil. Ter a possibilidade de montar uma equipe Jaguar 100% brasileira, numa categoria inovadora, representando o futuro do automobilismo, com um veículo de turismo 100% elétrico. Foi um sonho compartilhado com nossos amigos Cacá Bueno e Sergio Jimenez. Só foi possível concretizar este sonho graças aos nossos parceiros da ZEG, na figura do Daniel Rossi, e do iCarros, através do Ricardo Bonzo.”

Por que vocês optaram por ter um terceiro carro na equipe?
Frederic Drouin: “A oportunidade apareceu através da Jaguar Racing, que no fim de 2019 entrou em contato conosco para sugerir a presença de mais um piloto brasileiro no grid. Isso foi de encontro com a vontade do Adalberto Baptista, um piloto competitivo e com muita experiência em categorias deste tipo pelo mundo. Isso tudo foi muito facilitado estrutura desenvolvida pela CB00 Marketing, que criou um time espetacular para dar o suporte necessário aos pilotos e patrocinadores.”

Como vocês receberam a decisão do encerramento do campeonato pela Jaguar?
Frederic Drouin: “Foi, naturalmente, com muita tristeza que soubemos que o campeonato não teria continuidade. Porém, fechamos com o senso de missão cumprida. Ganhamos o primeiro campeonato, com direito a dobradinha: Sergio em primeiro e Cacá em segundo. Estamos na liderança desta segunda temporada, com esperança de conquistar um segundo título pelo Brasil. Se o campeonato continuasse, com certeza, gostaríamos de renovar os contratos e manter a mesma estrutura vencedora. Afinal, em time que está ganhando não se mexe.”

COM RICARDO BONZO FILHO, CEO DO iCARROS

Ricardo Bonzo - iCarros
Foto: Divulgação

Por que o iCarros decidiu patrocinar a equipe brasileira no Jaguar I-Pace eTrophy?
Ricardo Bonzo Filho: “Nós somos apaixonados por carro e tecnologia e já há muitos anos estamos inseridos dentro do automobilismo em diversas competições, como Trofeo Linea, Porsche, rally e Stock Car. Por isso, foi natural estar envolvido também em uma categoria pioneira como o Jaguar I-Pace eTrophy, primeira competição do mundo com carros de turismo 100% elétricos, desenvolvendo uma tecnologia que tem tudo a ver com o futuro do setor automotivo.”

Qual foi o retorno que o iCarros obteve com esse patrocínio?
Ricardo Bonzo Filho: “Além do bom retorno de mídia espontâneo, tivemos um ótimo retorno com ações de marketing de relacionamento. Em diversas etapas, levamos de dez a 12 convidados em um ambiente muito especial, de acesso privilegiado, o que ajudou a estreitar o relacionamento com nossos parceiros. Em cada viagem, passamos de quatro a cinco dias com esses convidados e sempre com uma programação muito bacana, tendo oportunidades como jantar com nossos pilotos e poder falar com eles sobre esta paixão em comum por carros e automobilismo. Isso trouxe o cliente mais perto de nós e conseguimos fazer isso em lugares incríveis como Riad, New York, Berlim, Paris… Em alguns destinos era até a primeira vez que um dos nossos convidados ia àquele país, então foi uma oportunidade única mesmo.”

O iCarros considera a hipótese de passar a patrocinar brasileiros que correm na Fórmula E?
Ricardo Bonzo Filho: “A gente é apaixonado por automobilismo e os bons resultados do Jaguar I-Pace eTrophy com Cacá Bueno e Sergio Jimenez certamente nos ajudam a pensar em possibilidades futuras em uma categoria pioneira em tecnologia e desenvolvimento como a Fórmula E.”

 

Estela Craveiro (MTb 15.590/SP) é uma jornalista paulistana experiente em muitas áreas, entre elas, negócios, marketing e automobilismo, setor que descobriu como repórter do jornal de economia Gazeta Mercantil, no fim dos anos 1990, e com o qual se manteve envolvida até metade da década passada, como repórter, criadora de sites e assessora de imprensa de pilotos. Agora, retorna ao esporte a motor com o F1Mania.net, para trazer matérias, entrevistas e notas sobre marketing esportivo. E-mail para contato: [email protected]