A etapa de abertura da temporada 2004 da Champ Car (também conhecida como Fórmula Mundial) marcou o retorno às pistas de um dos mais experientes pilotos do automobilismo nacional em atividade. Embora tenha enfrentado alguns problemas ao longo do final de semana (de 16 a 18 de abril), o brasileiro Tarso Marques voltou a sentir o gosto de pilotar um monoposto no circuito de rua de Long Beach, nos Estados Unidos, pela equipe Dale Coyne Racing.
Com passagens pela Fórmula 1 e pela própria CART, Tarso destacou suas boas impressões a respeito da nova fase que a categoria vive a partir deste ano. “Achei tudo muito bem organizado. No Brasil, a gente ouvia muitos comentários sobre as incertezas da Champ Car, mas o campeonato está muito maior do que eu pensava. Tinha muita gente no autódromo e a estrutura está muito boa. A única coisa que não gostei muito foram algumas mudanças nas regras, que para mim deixaram a categoria menos competitiva”, afirmou o curitibano.
“A obrigatoriedade de se fazer duas paradas nos boxes com bandeira verde prejudicou as equipes menores, que antes podiam arriscar na estratégia, aproveitar alguns imprevistos. Agora isso não acontece mais. Também não gostei da regra que impede os pilotos de defenderem sua posição durante a ultrapassagem. A gente não pode mudar o traçado e eu não concordo com isso. Mas, enfim, são regras e temos de segui-las”, explicou.
Largando na última colocação do grid, após um problema na classificação, Tarso Marques acabou não tendo como evitar seu envolvimento em um acidente logo na primeira volta em bandeira verde da prova deste domingo (18). “A corrida começou com bandeira amarela. Quando a bandeira verde veio, houve um acidente entre dois carros logo na primeira curva. Havia espaço para eu passar entre eles, mas quando já estava conseguindo sair da confusão, o Alexandre Sperafico (um dos pilotos envolvidos) acabou batendo na traseira do meu carro e me empurrou em direção ao de outro piloto. Minha suspensão traseira esquerda ficou danificada e não pude continuar”, contou.
Como Tarso e a Dale Coyne só puderam realizar testes de pré-temporada na semana passada, na versão mista do autódromo de Fontana, alguns detalhes ainda não estiveram devidamente acertados para a estréia. “No primeiro treino livre, na sexta-feira, eu fiquei em décimo lugar, o que não foi um resultado tão ruim, mas depois os problemas começaram a acontecer. Na primeira classificação, tive um problema no freio, que começou a bloquear as rodas. Acabei saindo da pista e tocando os pneus, o que danificou o carro e nos impediu de voltar ao treino. Resultado: acabei ficando em último”, descreveu também.
“No sábado, na segunda classificação, a chuva já havia parado, mas o asfalto continuava úmido. Coloquei o jogo de pneus novos e fui para a pista, mas logo tive um problema na embreagem e o carro parou na reta. Acabei perdendo minha melhor volta naquele treino por ter causado uma bandeira vermelha e a equipe não conseguiu arrumar o carro para eu voltar. Com isso, acabei ficando sem tempo no treino e larguei em último”, concluiu Tarso.
No final, a vitória ficou nas mãos do canadense Paul Tracy, da Forsythe. A próxima etapa da Champ Car acontece em 23 de maio, em Monterrey, no México. Antes disso, Tarso ainda volta ao trabalho no início do mês, quando participa de duas sessões de testes, em 3 e 4 de maio, em Sebring. A intenção é corrigir o que saiu errado e buscar uma evolução para as próximas provas.