Neste domingo (5) começa a temporada 2009 da Fórmula Indy. A prova inaugural será nas ruas da bela cidade da Flórida, em St.Petersburg, uma bahia cercada de iates e barcos. Um lugar que o brasileiro Tony Kanaan ainda não venceu, mas detém um fantástico retrospecto de quatro pódios em quatro corridas disputadas desde 2005. No ano passado, Kanaan largou na pole-position e, após uma prova conturbada devido a chuva, finalizou na 3a colocação.
Kanaan inicia a temporada chegando perto de sua centésima prova consecutiva na categoria, já que a prova desse domingo no circuito de 14 curvas e 1,8 milhas será a sua 99a corrida. A de número 100 ficará com o GP de Long Beach, no dia 19 de abril. Antes de seguir uma viagem de carro de aproximadamente três horas de Miami até St.Petersburg, Kanaan falou sobre o início do seu sétimo ano na categoria e na Andretti Green Racing.
Como você avalia esse início de temporada?
R: Não será nada fácil. Já pude perceber nos treinos coletivos que a competitividade está forte. Você vê, por exemplo, as equipes como a Newman Hass e a KV com o Mário (Moraes), que vieram da Champ Car, andaram bem nos treinos e darão trabalho tanto no misto, como no oval. Outros times também podem dificultar as coisas, além, é claro, dos carros vermelho e branco da Penske e Ganassi que me dão um bocado de trabalho há alguns anos. Então, acredito em uma temporada excepcional para quem estiver acompanhando.
Sobre seus objetivos, sempre dois não é?
R: Todo o ano eu repito a mesma coisa, mas não tem como mudar, ainda mais, quando estou na equipe que mais teve sucesso na Indy nos últimos anos. Temos três títulos em cinco anos. 2004, com o bonitão aqui, 2005 com o Dan (Wheldon) e 2007 com o Dario (Franchitti). Então, com certeza, o nosso “target” é vencer o campeonato e lutar pela vitória nas 500 Milhas de Indianápolis, sem dúvida. Estou confiante que brigaremos pelos dois nesse ano.
Como foi o trabalho da pré-temporada junto com o seu novo engenheiro?
R: Foi bem intenso e cada vez mais que trabalhamos juntos, vou pegando o jeito do Allen (McDonald). Eu tive um pequeno período de 13 anos com o Eric (Cowldin) (risos), por isso leva algum tempo para me adaptar. Mas estou contente com o progresso que fizemos durante a pré-temporada e acho que teremos um bom ano juntos.
Mudanças de 2008 para 2009?
R: A categoria preferiu não mexer muito na parte técnica dos carros para evitar um aumento de custos. Aliás, pelo contrário, eles tentaram reduzir. Por um lado, foi bom porque acertamos alguns detalhes em pistas que não fomos tão bem no ano passado. Agora, sabemos o que precisamos melhorar e fazer nesse ano.
E sobre St.Petersburg, o que você espera na abertura em circuito misto?
R: Pois é, há alguns anos sempre abríamos a temporada em Miami, no oval. Mas depois da prova do ano passado, achei até legal (risos). Nada contra Homestead, que está no “quintal” da minha casa, mas falo do resultado da prova de 2008. Enfim, curti ter duas provas em circuitos mistos logo de cara, ainda mais, que depois de St.Pete teremos Long Beach. Eu tenho um bom retrospecto em St.Pete, mas ainda não venci lá. Espero riscar essa frase no domingo.
Fale sobre o traçado.
R: É uma pista com um grande desafio porque nunca sabemos exatamente o que esperar antes de colocarmos o carro na pista e acelerarmos. Tem uma variação de curvas travadas com um reta bem larga. Fisicamente, é uma prova bem dura também. Por isso, vale cada pedalada a mais que fiz na pré-temporada.
Aliás, como foi a sua preparação para a sua sétima temporada com a Andretti Green?
R: Sétima? Estou ficando velho (risos). Foi bem forte na parte física, com treinos específicos e planejados desde as minhas férias no Brasil e que vieram se intensificando a cada dia que se aproximava do início do campeonato. Também estive várias vezes na sede da AGR, em Indianápolis, em reuniões com engenheiros, mecânicos, marketing, mídia etc…Fiz uma preparação mental também para estar forte durante todo o ano. Posso dizer que estou pronto para a temporada 2009.
Com o início do seu novo contrato com a AGR por mais cinco temporadas, você se sente com menos pressão?
R: Primeiro é um bom sentimento, pois eu sei que eles confiam em mim e eu confio neles. Sendo bem honesto, acho que a pressão sempre vai existir. E não é porque eu assinei um contrato de cinco anos que posso dizer ‘Ok, tanto faz!’. Pelo contrário, acho que pode aumentar nesse tempo, principalmente, se a cada ano não vencermos o campeonato ou as 500 Milhas. Mas é muito bom fazer parte dessa família por mais um longo período, mas não tira nenhuma pressão não.