Junqueira busca recuperação na Austrália

Vida de piloto de categorias top do automobilismo mundial não é fácil. Quando se consegue encontrar o acerto ideal, a pista é uma das preferidas (e sinônimo de vitória, em 2004) e o desempenho dos treinos livres traz motivos para otimismo, um detalhe nada simples, como as condições meteorológicas, acaba comprometendo todo o trabalho. Foi exatamente o que ocorreu com o mineiro Bruno Junqueira (Alcompac/Telemont) na qualificação para o GP de Surfers Paradise (Austrália), prova extra-campeonato que encerra a temporada da Indy Racing League (IRL). Para quem tinha expectativas reais de largar nas três primeiras filas, sair em 17º será um desafio a mais em uma corrida por si só já complicada. A largada está prevista para a 0h30 de domingo (a Band transmite).

Antes da última sessão preparatória de hoje, a Dale Coyne Racing detectou um problema nos freios do Dallara Honda de número 18, o que explicou a queda de rendimento na tarde de ontem (depois de ser o sétimo mais rápido pela manhã, Bruno terminou o dia em 11º. Bastou o sinal verde para a tomada de tempos e as ruas do balneário australiano ganharam a companhia da chuva, que modificou completamente as condições de aderência. Parte do primeiro grupo de pilotos, o mineiro, ao contrário de todos os rivais, apostou na pista molhada e, desde o início, preferiu andar com os pneus slick. O que seria uma estratégia vencedora caiu por terra quando Danica Patrick rodou na saída dos pits, provocando uma bandeira amarela.

Com a nova bandeira verde, uma tempestade se abateu sobre o circuito e o asfalto se transformou em rinque de patinação, com várias rodadas, toques e sustos. Por três vezes Bruno não conseguiu frear numa das chicanes, acabou cortando caminho e não teve tempo registrado. Nova neutralização causada por Danica e o pouco tempo restante serviu apenas para registrar uma marca, insuficiente para avançar às fases seguintes da qualificação.

“Não foi a classificação que esperávamos, a chuva chegou quase que sem aviso e tornou a qualificação no nosso grupo em um grande jogo. Pista muito molhada, muitos erros, e um carro que realmente não respondeu bem às novas condições. Foi uma pena não ter tido a oportunidade de classificar como esperava numa pista que curto tanto. Estava mesmo me resguardando durante esses dois dias, para deixar o ataque às zebras para a hora do ‘vamos ver’, mas com a pista molhada foi tudo diferente”, explica Bruno.

“Sei que terei uma longa corrida pela frente amanhã, e um pelotão bem misturado à frente, com alguns pilotos rápidos que poderão também me puxar, e outros mais lentos que podem criar uma linha de trem, e dificultar a aproximação com o pelotão dos líderes, mas seja como for sou sempre confiante nessa pista e acredito que possa alcançar um bom resultado”