Três vice-campeonatos, nove poles e oito vitórias. O que já é um currículo de respeito em uma das mais fortes e destacadas categorias do automobilismo internacional pode ganhar novos números em 2007. O mineiro Bruno Junqueira (Telemont/Brasil Telecomunicações), depois de uma longa negociação, acertou contrato com a Dale Coyne Racing e será um dos pilotos do time de Plainfield (Illinois) no campeonato da F-Mundial, com largada prevista para domingo, em um inédito circuito nas ruas de Las Vegas. Com 30 anos e dono dos títulos sul-americano de F-3, em 1997, e Intercontinental de F-3000, em 2000, Bruno dá a partida para sua sétima temporada na série norte-americana, disposto a repetir o bom desempenho dos testes de pré-temporada quando, mesmo andando menos que boa parte dos adversários, esteve sempre entre os mais rápidos.
Agora integrante de um dos times mais simpáticos da F-Mundial, pelo qual já passaram, entre outros, Cristiano da Matta, Roberto Moreno, Tarso Marques e Gualter Salles, Bruno tem em sua experiência um fator que pode fazer a diferença, já que a categoria vive um momento de renovação. Depois de bons e leais serviços acima dos 300 km/h, o chassis Lola dá lugar ao Panoz DP01 que, além de uma configuração aerodinâmica revista, para favorecer as ultrapassagens, deve gerar custos de manutenção mais baixos para as equipes e tem, como diferencial, a adoção do câmbio seqüencial no volante, em lugar da alavanca no lado direito do cockpit. Por se tratar de uma novidade para todos, especialmente em termos de acerto, todo o conhecimento acumulado pelo piloto de Belo Horizonte nos carros da Ganassi e da Newman-Haas pode ajudá-lo a brigar por pódios e pela primeira vitória da Coyne.
“Estou muito contente com a oportunidade de disputar minha sétima temporada na ChampCar, e imensamente entusiasmado com a parceria que firmamos junto à Dale Coyne. Desde do primeiro treino da temporada temos sido bastante competitivos, e acredito que possamos esperar resultados surpreendentes. A temporada inicia com um novo carro, numa nova pista, e para mim uma nova equipe”, diz, Bruno, bastante animado.
O novo carro não é a única diferença da temporada em relação às anteriores. O campeonato conta com novas equipes, como a Pacific Coast, nomes tradicionais do cenário mundial, como a Minardi (o empresário Paul Stoddart comprou a CTE-HVM e deu a ela o nome da equipe que possuía na F-1) e uma verdadeira revolução no calendário. Este ano não haverá corridas em circuitos ovais e inúmeras pistas farão sua estréia na competição. A começar por Las Vegas – um traçado de 3.920m nas ruas da capital mundial do jogo. Entre as 16 etapas, destaques para a volta da categoria à Ásia, em 20 de maio, no circuito chinês de Zhuhai; e à Europa, com uma rodada dupla (dia 2 de setembro, em Assen, na Holanda, e uma semana depois, em Zolder, na Bélgica), além de uma prova nas ruas de Phoenix (que já recebeu a F-1, nos anos 90), e de uma parada no lendário circuito canadense de Mont Tremblant.
Do ponto de vista do regulamento, permanecem os motores Cosworth V8 Turbo, com 2.650cc e cerca de 750 cavalos de potência. Será mantido ainda o dispositivo “push-to-pass”, que dá, a cada piloto, potência extra por um tempo restrito, para ser usado nas largadas e tentativas de ultrapassagens. Outro ponto inalterado, e que constitui um dos diferenciais da categoria, é a adoção dos pneus extra-macios Bridgestone com as laterais pintadas em vermelho, para facilitar a visualização pelo espectador, tanto no circuito quanto pela TV. Além de Bruno, são destaques entre os pilotos confirmados para a prova de abertura o tricampeão Sebastien Bourdais (Newman/Haas/Lanigan), o campeão de 2003 Paul Tracy (Forsythe), Justin Wilson (Rsports) e o holandês Robert Doornboos (Minardi), ex-piloto da Red Bull no Mundial de F-1.