Quando sair de Indianapolis, nesta terça-feira, Aírton Daré vai sentir saudade. Sede de um dos templos do automobilismo internacional, a cidade hospedou, mais uma vez, pilotos, equipes e o enorme público que acorreu para participar da 90a. edição das prestigiosas 500 Milhas de Indianapolis. Foi a quinta vez que Daré disputou essa corrida, e durante três semanas ele reviveu as sensações dos anos anteriores, reviu amigos, reencontrou fãs, participou de todas as cerimônias. De tudo isso, ele vai trazer boas recordações; da corrida, nada.
“Foi tudo maravilhoso, até a hora da largada”, sintetiza o piloto da Octane Motors, que largou em 29o. e chegou em 18o. “O acerto do carro foi muito prejudicado pela limitação de voltas que foi imposto e na hora de andar junto com os outros, o comportamento era péssimo”, explicou o piloto de Bauru. Já admitindo esta possibilidade desde que viu reduzidas de 34 para 23 o total de voltas que poderia dar no Carburetion Day, a última chance de deixar o carro em condições de enfrentar a turbulência gerada pelos adversários, o piloto de Bauru sentiu que a corrida seria problemática já nas voltas iniciais.
“Bastaram três voltas para ver que a tentativa de melhorar o comportamento na turbulência tinha falhado. Nem dá para reclamar dos engenheiros, já que não tivemos chance de fazer a regulagem fina”, constatou Daré, que já avisou à equipe que, para o ano que vem, vai ser preciso melhor planejamento. “É uma corrida grande demais, não cabe improviso. Para se ter chance de chegar entre os 10 primeiros, tudo tem de ser perfeito”.
O piloto da Octane afirmou que, desde as primeiras voltas, sua corrida se resumiu a brigar no pelotão de trás. “Fomos mudando o acerto a cada parada, mas melhorou muito pouco. Para piorar, a água ferveu e não bebi nem metade do que tinha na garrafa. Como tinha de brigar o tempo todo para ficar longe do muro e para sair da frente dos líderes, terminei a prova exausto”.
O lado positivo, ressalta Daré, foram o clima, as festas e as cerimônias das 500 Milhas. “Foi muito legal ver que as pessoas ainda se lembram de mim. Eu não esperava muitos pedidos de autógrafos, já que a última vez que corri aqui foi em 2003, mas tive boa procura. Outra coisa que ficou clara para mim é que sempre vou querer disputar as 500 Milhas, mas não enfrentar uma temporada completa. Vou levar saudades daqui, mas já estou louco para voltar para o Brasil”, finalizou o piloto de Bauru.