Daré terá um dia de muito trabalho

A manhã desta sexta-feira será bastante ocupada para Aírton Daré. Com folga em seu motor para mais 34 voltas, o piloto da Octane Motors terá de executar duas tarefas que influenciarão decisivamente seu resultado final nas 500 Milhas de Indianapolis. No espaço de apenas uma hora, o tempo reservado para o último treino livre, o piloto de Bauru terá de acertar a altura ideal do carro em relação ao solo e treinar as paradas de reabastecimento e troca de pneus.

Daré pretende, acima de tudo, avaliar o comportamento do seu Panoz/Honda quando ele estiver perto do carro da frente. “É o vácuo. A gente entra em um buraco que o carro da frente abre na parede de ar, ganha velocidade e faz a ultrapassagem. Mas o carro tem de estar muito seguro, porque quando cola no da frente, entra em uma zona de turbulência que pode desestabilizá-lo. Aí, o jeito é esperar a parada nos boxes para os mecânicos aumentarem a inclinação dos aerofólios”.

O que deixa o piloto de Bauru apreensivo é o pouco tempo disponível para todo este trabalho. “Considerando que não corro em ovais desde 2003, devo estar meio enferrujado nas paradas. É preciso ser muito exato, as rodas têm de ficar exatamente sobre as marcas pintadas no chão. Meio metro para lá ou para cá significa que os mecânicos têm de empurrar o carro para o lugar e a perda de tempo é grande. E só tenho uma hora para resolver tudo”, lamenta.

O treino é denominado Carburetion Day, uma alusão ao tempo em que os motores usavam carburadores, carburetors em inglês. Os mecânicos procuravam a melhor regulagem, aquela que proporcionava economia de combustível com a menor perda possível de potência. “Hoje, o sistema de gerenciamento dos motores faz isso. Ele adapta a quantidade de combustível a ser injetada no motor de acordo com as variações da temperatura e da pressão do ar. Mas nem por isso esse treino perde importância. Um bom trabalho no Carburetion Day ajuda muito”, comenta o piloto da Octane Motors, que já disputou as 500 Milhas quatro vezes. “As duas primeiras foram boas, mas agora estou mais maduro. Pode ser que essa seja a melhor”, anima-se Daré.