A Força Aérea Brasileira vai encerrar oficialmente no dia 31 de dezembro as operações do avião-caça Mirage III. O fim da era da aeronave, cujas unidades serão substituídas pelo modelo Mirage 2000-C, está sendo marcado nas últimas semanas por uma programação de caráter festivo, que na tarde desta quinta-feira (1º) estará envolvendo o piloto de automobilismo Vitor Meira, vice-campeão das 500 Milhas de Indianápolis.
Meira vai voar num Mirage IIIE/Br, modelo de dois lugares, na Base Aérea da cidade goiana de Anápolis. Será o primeiro piloto brasileiro de automobilismo a voar num caça da Força Aérea desde 29 de março de 1989, quando Ayrton Senna rompeu a barreira do som voando a 1.880 km/h. A decolagem, prevista para as 14h, está condicionada pelo comando do 1º Grupo de Defesa Aérea à ocorrência das condições climáticas adequadas.
Para Meira, a maior expectativa é da velocidade final que seu vôo poderá atingir. “Eu adoraria atingir uma velocidade maior que a de quando o Ayrton teve a experiência, mas isso depende de uma série de fatores, inclusive das condições meteorológicas. Independentemente disso, vai ser uma experiência de que eu não vou esquecer”, comenta o piloto, que nas competições da Fórmula Indy chegou a 395 km/h de velocidade máxima.
O Mirage III é capaz de romper a barreira do som a cerca de 1.200 km/h. Momentos antes do vôo, Meira será submetido a ritos preparatórios que incluem a passagem pelo simulador de vôo. “Não houve nenhuma recomendação especial, mas vou procurar ser comedido no meu café da manhã”, diz, bem-humorado, o piloto brasiliense, que vai presentear o 1º GDA com uma réplica de seu capacete de corridas, decorada com o brasão da esquadra.
O evento contará com a presença do secretário de Esportes e Lazer do Distrito Federal, Weber Magalhães, que representa, além de sua pasta, o governo do Distrito Federal. Ele é vice-presidente regional da Confederação Brasileira de Futebol e chefiou a delegação que obteve o pentacampeonato mundial no Japão. Os caças Mirage III da FAB, invariavelmente, são empregados no serviço de escolta do avião que leva a seleção brasileira.
O MIRAGE III
O Mirage III é tido como avião de combate de maior sucesso produzido na Europa ocidental. Por um longo período, foi a base do sistema de defesa aérea da França, escolhido pela simplicidade, a confiabilidade e o alto desempenho. Teve papel decisivo na campanha aérea da Guerra dos Seis Dias, em 1967, quando levou a Força Aérea Israelense a dezenas de vitórias em batalhas aéreas e à completa destruição da aviação árabe em solo.
Em 1971, os paquistaneses obtiveram, com seus Mirage III, oito vitórias no ar e duas em solo contra a Força Aérea Indiana. Em 1982, os Mirage III foram empregados pela Força Aérea Argentina na Guerra das Malvinas. Ainda hoje, são utilizados pela África do Sul em operações na Namíbia. No Brasil, os Mirage III equipam o 1º Grupo de Defesa Aérea nas missões de interceptação e são peças-chave no sistema de Defesa Aérea e no Controle de Tráfego Aéreo.
Fabricado na França pela Dassault-Breguet, o Mirage III é equipado com motor turbojato Snecma Atar-09C7/038, com 13.230 lb de empuxo. Vazio, é capaz de atingir 2.400 km/h ao nível do mar. Tem raio de combate de 1.206 quilômetros e teto operacional de 16.764 metros. Vazio, pesa exatos 7.050. Carregado, pode decolar com até 13,5 toneladas. Tem 8,22 metros de envergadura, 15,03 metros de comprimento e 4,5 metros de altura.