Uma pista de rua ondulada, com poucos pontos de ultrapassagem e um traçado que não apresenta grandes desafios aos pilotos e equipes da F-Mundial. Denver, capital do estado do Colorado, aos pés das Montanhas Rochosas, seria para Bruno Junqueira (Banco Rural/RM Sistemas/Telemont/Telesena) apenas mais um circuito, não fosse seu impressionante retrospecto. O mineiro, que se recupera do acidente na 76ª volta das 500 Milhas de Indianápolis, em que fraturou as vértebras L-1 e T-12, venceu as duas primeiras edições da prova, em 2002 e 2003, sempre largando da pole.
No ano passado, voltou ao pódio com um terceiro lugar e ainda é o dono da volta mais rápida pelos 2.650 do circuito provisório. Só isso já seria suficiente para justificar sua presença nos boxes da Newman-Haas, acompanhando, ao vivo, a corrida de domingo, nona etapa do campeonato. O GP de Denver é também, o mais importante do ano para dois dos principais patrocinadores de Junqueira, que dão nome à corrida: o conglomerado financeiro Centrix, cuja sede é a capital do Colorado e a PacifiCare. Com isso, o final de semana promete uma agenda cheia para o piloto que, pelos bons resultados nesta pista é tratado com carinho especial pelo público e pela imprensa. Junqueira chegou nesta quarta-feira à cidade e, até a bandeirada, terá uma agenda repleta de compromissos. O estado de espírito é cada vez melhor à medida que as etapas da recuperação ficam para trás e a perspectiva de voltar ao comando de seu Lola/Cosworth torna-se mais próxima.
A exemplo do que fez em San Jose, na Califórnia, Bruno foi escolhido pelos dirigentes da Champ Car World Series para ministrar um curso intensivo de pilotagem para 50 convidados da PacifiCare. A empresa encontra-se em processo de fusão com o grupo United Health e confia em um bom resultado do espanhol Oriol Servia, substituto de Bruno, além de se valer do mineiro, que é seu principal garoto-propaganda, para uma série de ações promocionais. A exemplo do que ocorreu em Toronto e San Jose, Bruno voltará a trabalhar como comentarista na transmissão internacional da corrida para a TV.
“Denver vai ficar para sempre na minha memória como um lugar especial. Tanto na Ganassi quanto na Newman-Haas, sempre cheguei aqui com o acerto ideal. Bastava descer o carro do caminhão e acelerar. Estou me sentindo muito bem, a cada dia melhor, e sentindo-me pronto para voltar a pilotar. Tenho mantido a rotina de nadar, fazer sessões de fisioterapia três vezes por semana e pedalar em uma bicicleta ergométrica”, explica o mineiro, vencedor do GP de Monterrey, que liderava a classificação do campeonato até o acidente nas 500 Milhas.