Cristiano da Matta diz que vitória foi “indescritível”

Cristiano da Matta foge das perguntas sobre Fórmula 1. Não é trauma, é apenas desinformação. Os acontecimentos da categoria máxima do automobilismo mundial, onde passou os últimos dois anos defendendo a equipe Toyota, agora pouco interessam. Ele está de volta à Fórmula Mundial, categoria onde viveu os momentos mais felizes de sua carreira, conquistando o título de 2002. Depois de um início de temporada muito difícil, com resultados abaixo da expectativa, o brasileiro reencontrou o caminho para a vitória e ganhou neste domingo (19) a quarta etapa do campeonato, disputada em Portland.

Foi uma conquista que combinou ousadia e sorte. Ousadia provocada por seu engenheiro na PKV, o experiente Jim McGee, que preparou uma estratégia de corrida diferente dos adversários, para tirar Cristiano da Matta do meio do grid e colocá-lo entre os primeiros colocados. Sorte pelo abandono do principal favorito, o inglês Justin Wilson, que fez a pole, liderava e estava sobrando na pista. “Percebi que poderia vencer quando o Justin Wilson quebrou e apareceu a bandeira amarela. Todo mundo foi para os boxes, mas nós tínhamos condições de permanecer na pista e foi o que fizemos. Naquele momento eu entrei na briga direta pela vitória”, conta.

O resultado não pode ser considerado surpreendente em razão do currículo vitorioso de Cristiano da Matta, mas nem mesmo ele esperava ganhar a prova. “Sabia que dava para chegar entre os cinco melhores. Ou no pódio, no máximo. Não pensava na vitória”, revela. Atrás dele chegaram outros dois campeões da categoria: Sebastien Bourdais em segundo e Paul Tracy em terceiro. A diferença entre os dois primeiros colocados foi de pouco mais de dez segundos, a maior do circuito desde 1995. A pista é a mesma que detém o recorde de margem de vitória mais apertada. Em 1997, Mark Blundell bateu Gil de Ferran por 0s027.

Nas entrevistas que concedeu depois da prova, Cristiano da Matta parecia aliviado. “Ficar muito tempo longe das vitórias é péssimo para qualquer piloto. Você acaba perdendo a confiança. Voltar para a Fórmula Mundial e ver que podemos progredir como um time foi uma injeção de combustível na minha carreira. Não consigo explicar como é bom ganhar novamente. Sinto que de repente fiquei dez quilos mais leve”, comenta. O piloto brasileiro vinha andando bem desde a prova anterior, quando ficou em quarto no grid em Milwaukee, mas classificou o fim de semana em Portland como “o melhor do ano para a PKV”.

A vitória logo na quarta corrida após seu retorno à Fórmula Mundial mostrou que Cristiano da Matta não esqueceu os segredos da categoria. Mesmo assim, ele faz questão de tentar melhorar. “É fácil conseguir 97% da readaptação. Acontece muito rapidamente. É questão de voltar para o carro e lembrar de tudo o que aprendeu no passado. Os 3% restantes é que realmente fazem a diferença numa categoria como a Fórmula Mundial. As regras mudaram, o formato do treino classificatório é outro, não há mais controle de tração e a janela de pit stops foi extinta. São pequenas coisas que eu preciso dominar”, confessa. A próxima etapa da Fórmula Mundial será disputada em Cleveland, dia 26 de junho.