Estratégia e risco de acidentes desafiam pilotos no Texas

Depois das emoções das 500 Milhas de Indianápolis, prova tida como a mais importante do automobilismo mundial, a temporada de 2005 da Fórmula Indy tem mais um capítulo apresentando um atrativo pitoresco – a disputa noturna. As 300 Milhas do Texas, sexta etapa do calendário, serão disputadas neste sábado (11), com largada às 19h30 locais, 21h30 em Brasília. A Rede Bandeirantes e o canal Bandsports vão transmitir ao vivo para o Brasil.

As características da corrida texana sugerem uma batalha estratégica. A largada vai acontecer sob luz natural e a chegada, prevista para aproximadamente duas horas depois, já tendo caído a noite no Texas. “A questão da luz não muda a pilotagem, mas a queda da temperatura influi no rendimento do carro, você tem de encontrar uma fórmula para compensar isso durante a prova”, explica Vitor Meira, brasileiro melhor colocado no grid – vai largar em quinto.

O piloto da Rahal-Letterman compara o desafio estratégico imposto pelas condições da prova noturna a um jogo de xadrez. “Você tem que pensar antes de fazer a sua jogada. Muitas equipes vão tentar diferentes níveis de calibragem dos pneus para cada fase da corrida, outras vão trabalhar outros aspectos. A verdade é que você tem mais ou menos que prever como vão acontecer as mudanças para se preparar, não é uma tarefa das mais fáceis”, reconhece.

As 200 voltas pelo oval de uma milha e meia do Texas Motor Speedway exigem atenção redobrada dos pilotos. “Nessa pista, é muito fácil bater. E, quando um piloto bate, invariavelmente leva mais dois ou três junto com ele. Você tem que prestar atenção aos seus próprios erros e ficar de olho nos erros dos outros para evitar qualquer situação assim. O cuidado é redobrado”, alerta o brasileiro, quinto na classificação do campeonato com 136 pontos.

A disputa por posições na tabela de pontos representa o principal foco de Vitor nas 300 Milhas do Texas. Ele considera a possibilidade de deixar o Texas como vice-líder do campeonato. A diferença que o separa do também brasileiro Tony Kanaan, segundo na pontuação, é de 26 pontos, menos da metade do total possível a um piloto a cada etapa. Sam Hornish Jr., o terceiro, está dez pontos à sua frente. Bryan Herta, o quarto, apenas três.

“Para ser vice-líder já nessa corrida, é claro que eu vou ter que contar um pouco com a sorte, mas eu acredito que ser o terceiro é perfeitamente possível. A nossa condição para a corrida é muito boa, principalmente com relação a motor. O motor Honda vai até o final da prova com a mesma competitividade da primeira volta”, exemplifica Vitor, que saltou de oitavo para quinto no campeonato com seu segundo lugar nas prova de maio em Indianápolis.

O brasileiro da Rahal-Letterman adianta que sua estratégia no Texas será um pouco mais agressiva que a adotada em Indianápolis. “Aqui, todo mundo anda num pelotão só, isso deve acontecer do começo ao fim. Se você pega a liderança, dificilmente a perde, porque as ultrapassagens não são tão fáceis. Minha idéia é a de me manter entre os primeiros desde o começo para ter a situação sob controle no final. Pode ser que isso resulte em vitória”, supõe.