“Mesmo sem vencer, foi um fim de semana perfeito”. Com essas palavras, Vitor Meira define o trabalho da Rahal-Letterman nas 500 Milhas de Indianápolis. O piloto brasileiro, sétimo no grid, fez uma corrida baseada na estratégia e contou com o trabalho eficiente de sua equipe nos boxes para terminar a corrida do último domingo (29) em segundo lugar. A vitória foi do inglês Dan Wheldon, que ampliou sua vantagem na classificação da Fórmula Indy.
“Para as nossas intenções no campeonato, foi um resultado excelente”, diz o piloto. “Em Indianápolis, por ser a principal corrida do mundo, pouca gente dá atenção ao campeonato, muitos pilotos jogam tudo para vencer aqui. Era a nossa meta, também, mas desde antes da largada eu tinha muito clara na minha cabeça a necessidade de fazer uma corrida pensando no campeonato, que está no início. Ganhamos três posições, está ótimo”, define.
Com o resultado na corrida, quinta das 17 previstas no calendário da Indy, Meira subiu da oitava para a quinta posição. A diferença que o separa do vice-líder Tony Kanaan, oitavo em Indianápolis, é de 26 pontos. “O Dan é a exceção, fez um início de temporada impecável e abriu uma boa vantagem. Depois dele, todos estão na mesma briga, e ainda temos 12 corridas pela frente. A chance é real e o nosso trabalho vai ser cada vez mais intenso”, avisa.
O brasileiro procura não demonstrar maior preocupação com o domínio do inglês, que venceu quatro das cinco primeiras etapas. “Ele e a Andretti-Green estão numa excelente fase, mas não acho que isso vá durar o campeonato todo. A sorte também tem sido uma boa aliada deles, mas eu prefiro considerar que todos os pilotos ali da frente têm chance de ficar com o título. Nós estamos melhorando a cada corrida, cada vez mais competitivos”, comenta.
Um bom reflexo dessa evolução foi o desempenho da Rahal-Letterman nos pit stops em Indianápolis. “A gente vinha pecando no trabalho de box, mas em Indianápolis isso mudou. Todas as paradas foram perfeitas, eu não canso de dizer isso. A cada vez que eu parava, ganhava uma ou das posições por causa do bom trabalho dos mecânicos. Isso é muito bom, até porque aumenta a motivação de todo mundo para a seqüência do campeonato”, considera.
Vitor atribui o desempenho discreto na primeira fase da prova ao acerto de seu Panoz-Honda. “Eu sabia que o começo ia ser difícil, porque o carro estava acertado para ser rápido na pista emborrachada e o asfalto estava praticamente sem borracha. Da metade para a frente, já com muita borracha, o carro começou a voar”, explica. “Foi uma boa estratégia. O que vale é a sua colocação quando a corrida termina, e não nas primeiras voltas”.
O que faltou ao piloto brasileiro para chegar às voltas finais em condições de manter a vantagem, segundo sua análise, foi um rendimento melhor em meio ao tráfego. “O meu carro não era o melhor nessa condição, e talvez isso tenha determinado o resultado”, pondera. “Dava para ver que o carro do Dan era muito equilibrado no tráfego. A Andretti-Green fez um trabalho perfeito nesse sentido e o resultado disso foi a vitória deles”, atribui.
A disputa entre Wheldon e Meira pela liderança foi interrompida na penúltima volta, com o acidente de Sèbastien Bourdais. A bandeira amarela foi acionada em toda a pista. “A bandeira amarela pode até ter ajudado alguns pilotos, porque a disputa foi forte até o fim, mas não me atrapalhou em nada. Eu não teria, em uma volta e meia, como descontar a diferença para ele e passar. O resultado final foi o resultado real da corrida”, avalia.