Bruno Junqueira (Newman/Haas) definiu a segunda etapa da temporada da Fórmula Mundial, disputada neste domingo (22), em Monterrey, no México, como uma das corridas mais difíceis de sua vida. A prova, que rendeu ao piloto brasileiro sua primeira vitória no ano e a liderança do campeonato, teve mais de duas horas de duração e foi disputada sob temperatura de aproximadamente 35º C. O calor e a pista muito lisa provocaram erros de diversos pilotos, inclusive os mais experientes, causando um grande número de bandeiras amarelas nas 76 voltas completadas. Foram nove intervenções do pace car. Apenas dez carros cruzaram a linha de chegada.
Superar tamanho desafio era o objetivo de Bruno Junqueira antes mesmo de chegar ao México. “Em maio o calor é muito forte nesta região e estava claro que o preparo físico seria fundamental. Não tive muito tempo para treinar porque estava em Indianápolis, mas aproveitei a única oportunidade que apareceu. Passei dois dias em Miami e em cada um deles andei pelo menos três horas de bicicleta, entre 13h00 e 16h00. Eu sabia que isso poderia me ajudar”, conta o brasileiro, que subiu ao pódio pela oitava vez consecutiva, uma marca que nenhum outro piloto havia atingindo desde Rick Mears, em 1981.
“Não é normal ver pilotos cometendo erros numa competição de alto nível como a Fórmula Mundial. Boa parte do que aconteceu foi por causa do calor e da pouca aderência da pista. Aqueles dois dias de treino em Miami fizeram a diferença para mim”, reconhece o atual vice-campeão da categoria. Bruno Junqueira é o primeiro piloto, desde Bobby Rahal (entre 1983 e 1988), que conseguiu vencer pelo menos uma vez nos cinco primeiros campeonatos completos disputados na Fórmula Mundial. A paciência foi outra virtude do brasileiro em Monterrey. Largando em quinto, soube esperar o momento ideal para fazer as ultrapassagens que precisava e assistiu de camarote o exagero de alguns adversários.
O francês Sebastien Bourdais (Newman/Haas), por exemplo, tentou ganhar a posição de Paul Tracy (Forsythe) na marra e acabou tirando o canadense da corrida. Na opinião de Bruno Junqueira, aquele foi um momento decisivo da corrida. Nas voltas iniciais ele havia ultrapassado Cristiano da Matta (PKV) e Alex Tagliani (Team Australia), mas com seus dois principais concorrentes fora da disputa direta na prova, não seria mais necessário correr tantos riscos. Com bastante tranqüilidade e pensando no campeonato, Bruno Junqueira pulou para segundo depois de superar Oriol Servia (Dale Coyne) e ganhou a liderança da prova faltando nove voltas para a bandeirada, quando deixou para trás o sueco Bjorn Wirdheim (HVM).
Longe da felicidade de Bruno Junqueira, os dois campeões da categoria trocaram acusações depois da corrida. O acidente com Sebastien Bourdais e o os comentários do francês depois da prova irritaram Paul Tracy. “Primeiro, ele freou muito cedo antes do primeiro pit stop e eu quase bati na traseira dele. Depois, tentou me ultrapassar feito um kamikaze, dei todo o espaço que tinha e ele simplesmente veio para cima de mim. Sebastien é um cara legal, que eu gosto de enfrentar, mas não achei justo quando soube que estava colocando toda a culpa em mim. Acho que ele exagerou no McLanche Feliz”, disse Paul Tracy, ironizando o rival, patrocinado pela rede McDonald’s. Mais de 110 mil pessoas lotaram as arquibancadas de Monterrey neste domingo. A próxima etapa da temporada da Fórmula Mundial será disputada na noite de 4 de junho, no oval de Milwaukee. Será a primeira prova da categoria em circuito oval neste ano.