A Fórmula 1 está diante de uma transição que vai muito além das mudanças de regulamentos em 2026. Nos bastidores, o jogo político e estratégico entre as equipes também começa a se redesenhar. Em meio a esse cenário, uma possibilidade ganha cada vez mais força: Max Verstappen deixar a Red Bull. E se há uma equipe que pode – e talvez deva – aproveitar esse momento para agir, essa equipe é a Mercedes. Porque se a Mercedes realmente quer Verstappen, a hora é agora. Confira a análise.
Um novo cenário na Red Bull
A Red Bull está passando por um de seus momentos mais turbulentos dos últimos anos. A equipe, que dominou a categoria com ampla vantagem nas últimas temporadas, agora vive uma reestruturação forçada após meses de tensão interna. Christian Horner, apesar de ainda vinculado ao grupo Red Bull, deixou o cargo de chefe da equipe com efeito imediato.
Durante esse período conturbado, ficou evidente uma espécie de disputa interna, ainda que nunca oficialmente reconhecida. De um lado, Christian Horner, que contava com o suporte direto de nomes como Adrian Newey e Jonathan Wheatley — ambos já fora da equipe. Do outro, Helmut Marko, conselheiro da Red Bull, que parecia ter ao seu lado Joss Verstappen e, em grande parte do tempo, também Max. Aos poucos, esse equilíbrio foi se desfazendo: Newey anunciou sua saída para novos desafios na Aston Martin, Wheatley foi para a Sauber, e Horner, agora, também está fora do centro de comando da F1. O tabuleiro se rearranjou, e a Red Bull entra agora em uma fase de reestruturação profunda com Laurent Mekies — possivelmente abrindo mais espaço e protagonismo para Verstappen dentro da organização.
A Mercedes pode sair na frente – mas ainda é aposta
Ao mesmo tempo, muito se fala sobre a Mercedes e seu projeto para 2026. Rumores dão conta de que a equipe de Brackley é a única até o momento a ter atingido a divisão ideal de potência 50/50 entre motor a combustão e parte elétrica – exigência essencial do novo regulamento técnico da Fórmula 1. Isso, em teoria, colocaria a Mercedes em vantagem para a próxima era da categoria.
No entanto, tudo isso ainda está no campo do condicional. Ainda não há certeza sobre quem largará na frente no ano que vem. Para Verstappen, que hoje pode escolher onde correr, ainda é uma aposta. Uma aposta arriscada, inclusive – porque deixar a Red Bull agora significa abrir mão de um time em que ele é o centro das atenções para apostar em um projeto promissor, mas não comprovado.

Verstappen é o diferencial
É por isso que esse momento é tão crucial para a Mercedes. Porque, apesar dos riscos, é agora que Verstappen está “disponível” – ao menos politicamente. Em 2025, com o novo regulamento já batendo à porta e as peças começando a se encaixar, tudo pode mudar. A Mercedes pode, de fato, entregar o melhor carro e dominar. Mas se isso acontecer, e George Russell conquistar o título, a equação muda completamente.
Tirar um campeão do cockpit é mais difícil – tanto do ponto de vista interno quanto externo. A não ser que haja uma diferença técnica muito significativa entre os pilotos, a equipe que vence tende a manter sua formação. E, se for esse o caso, a vaga que hoje está aberta para Max pode simplesmente desaparecer.
Por outro lado, se a Mercedes enfrentar rivais que mostrarem próximas em desempenho, por exemplo a Red Bull, Verstappen pode ser justamente o diferencial. Levar o holandês agora, com base na expectativa de que ele vai “fazer a diferença” mesmo em um cenário parelho, é uma jogada estratégica – e possivelmente decisiva.
A hora de agir é agora
Não há dúvidas de que Verstappen é o nome mais valioso do grid. Um “piloto VIP”, que pode escolher seu destino. E isso não muda. Mas o que muda é a conjuntura que favorece uma movimentação. Hoje, o caminho está aberto. Amanhã, talvez não esteja mais.
Para a Mercedes, o momento de agir é agora. O investimento necessário – que especula-se já ter sido aprovado internamente em cerca de 130 milhões – pode parecer alto, mas representa a compra de um ativo esportivo com capacidade de garantir meio segundo no cronômetro. Em uma nova era técnica, isso pode significar campeonatos.
Se a equipe alemã quiser transformar o projeto promissor de 2026 em domínio real, Verstappen é a peça mais forte do tabuleiro. E essa peça ainda está disponível. Pelo menos, por enquanto.
