Espanhol alerta para desgaste físico e mental em uma pré-temporada comprimida antes das regras de 2026
Às vésperas da maior mudança técnica da Fórmula 1 em mais de uma década, Carlos Sainz levantou um ponto que raramente ganha destaque no debate sobre 2026: o fator humano. Para o piloto da Williams, o intervalo entre o fim da temporada 2025 e o início da nova era simplesmente não é suficiente para que corpo e mente se recuperem de forma adequada.
A crítica surge em um contexto específico. Com a introdução simultânea de novos carros e novas unidades de potência, as 11 equipes do grid anteciparam seus cronogramas. Já no fim de janeiro, todas estarão no Circuito de Barcelona-Catalunya para testes privados, antes mesmo do início oficial da pré-temporada, marcado para fevereiro. Isso encurta drasticamente um período que, nos últimos anos, já vinha sendo comprimido pelo avanço do calendário até dezembro.
Falando à imprensa após o GP de Abu Dhabi, mas antes do teste da Pirelli, Sainz descreveu a rotina que fecha sua temporada praticamente sem pausa. “Temos um teste na terça-feira, que eu sempre considero importante, porque hoje em dia quase não há testes”, explicou. “Depois disso, mais três dias no simulador — quarta, quinta e sexta — e aí, basicamente, a minha temporada acaba.”
O espanhol detalhou que, após esse ciclo, o descanso é mínimo. “Eu volto para casa, tento me recuperar, e já retorno quase no começo de janeiro, porque no fim do mês já estamos testando o carro novo.” Para ele, esse intervalo é insuficiente diante do nível de exigência imposto pela Fórmula 1 moderna.

“Eu acho que vamos ter, no máximo, algumas semanas de folga”, avaliou. “Provavelmente não é o suficiente para o que o corpo e a mente precisam.” Ainda assim, Sainz reconhece que a situação é generalizada e não exclusiva de sua equipe ou de sua posição no grid. “Mas é igual para todo mundo, então vou tentar aproveitar ao máximo esse tempo para voltar mais forte.”
O discurso de Sainz ecoa declarações recentes de outros pilotos, como Lewis Hamilton e Liam Lawson, que também admitiram que o trabalho físico, técnico e mental para 2026 começa praticamente antes do Natal. Em um campeonato cada vez mais longo, mais técnico e mais intenso fora das pistas, a fala do espanhol expõe uma tensão clara: enquanto a Fórmula 1 avança em inovação e complexidade, o espaço para recuperação humana segue cada vez menor.
Na nova era que se aproxima, não será apenas o carro que precisará se adaptar rapidamente. Os pilotos também.
