Questão do ‘truque’ do motor da Mercedes exibe F1 de jogos mentais

A pré-temporada da Fórmula 1 voltou a levantar suspeitas com o novo regulamento técnico. Em meio a mudanças dos motores, a Mercedes se vê no centro de uma polêmica envolvendo um suposto ‘truque’, onde indicam que o time encontrou uma maneira de operar com uma taxa de compreensão maior, dando mais potência ao carro – portanto, explorando uma área cinzenta das regras.

Desde então, o debate ganhou força e muitos times já começaram a mostrar sua insatisfação. Ferrari, Audi e Honda teriam enviado cartas consideradas “secretas” à FIA questionando a legalidade do projeto da Mercedes em uma tentativa de pressionar politicamente antes mesmo da primeira corrida de 2026.

Toto Wolff, então, tratou o tema com cautela e ironia. Questionado sobre os rumores, lembrou a natureza estratégica do discurso na Fórmula 1 e disse que “estou aqui há bastante tempo. Às vezes você é induzido ao erro e, às vezes, induz os outros ao erro. Já não há mais surpresas. O vento pode mudar assim, de repente”, afirmou. Ainda, aproveitou para citar Bernie Ecclestone com” ontem eu disse A, mas hoje minha opinião é B”.

O dirigente também minimizou o impacto técnico do suposto conceito. Segundo o austríaco, o “truque” renderia apenas um ou dois cavalos de potência extras. Caso tenha sido uma admissão, ficou no ar a dúvida sobre o quanto essa declaração foi literal ou estratégica.

Andrea Kimi Antonelli (ITA) Mercedes AMG Formula One Team W17.
Foto: XPB Images

A Mercedes garante que seu motor foi projetado em total conformidade com a FIA. Ainda assim, a pressão dos concorrentes cresce, e existe a possibilidade de que a entidade máxima revise ou reinterprete algum detalhe técnico, caso considere que o conceito fere o espírito das regras.

Enquanto isso, outras equipes também participam do jogo de narrativas. A Red Bull, que passou por mudanças em sua estrutura de fornecimento de motores, adotou inicialmente um discurso cauteloso, posicionando-se como possível azarã diante do novo regulamento, enquanto a Williams, por sua vez, minimizou questionamentos após perder o shakedown em Barcelona, afirmando que não havia problemas e que parte do trabalho estava sendo feita de forma virtual.

Já a Aston Martin enfrentou dificuldades nos testes, acumulando problemas entre Barcelona e Bahrein, ao mesmo tempo em que negava mudanças internas na gestão envolvendo Andy Cowell e Dan Fallows.

Esse cenário reforça o quanto a Fórmula 1 é movida por intrigas técnicas e políticas. Quando as coisas vão bem, aponta-se para o rival que parece ainda mais forte. Quando vão mal, os problemas são relativizados publicamente enquanto, nos bastidores, cartas são enviadas à FIA questionando interpretações criativas do regulamento.

Por fim, o próprio Wolff destacou que há um elemento que encerra qualquer debate: “O cronômetro nunca mente.” A primeira corrida do ano, na Austrália, será o teste das narrativas construídas durante o inverno.



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