Prisioneiro no Bahrein escreve carta e agradece preocupação de Hamilton: “É nosso campeão”

Lewis Hamilton teve mais uma prova de que sua influência já ultrapassou as pistas da F1. Nesta semana, Ali Alhajee, prisioneiro no Bahrein, escreveu uma emocionante carta ao heptacampeão mostrando seu apoio e agradecimento pela preocupação do inglês.

A categoria realiza neste final de semana o primeiro GP do calendário da temporada 2022. O país é uma das praças sempre rodeadas de polêmicas e amplamente criticadas por organizações por abuso dos direitos humanos.

Pensando nisso, inclusive, no último ano o piloto da Mercedes afirmou que o certame dirigido por Stefano Domenicali não pode mais ignorar os problemas relacionados ao tema nos países em que correm. “Não acho que devemos chegar nesses lugares, ter uma ótima experiência e sair”, falou na época.

Então, na segunda-feira, Alhajee escreveu ao competidor como ele fez a diferença. O prisioneiro explicou que no passado, os presos políticos e de consciência na prisão Jau haviam boicotado a F1 por conta da tentativa de “sportwashing” [usar um esporte para melhorar a imagem do país], e que a postura de Lewis os fizeram mudar de atitude.

“Sua preocupação genuína sobre esses casos mudou a maneira que os prisioneiros encaram o esporte. Para nós, você é nosso campeão, não apenas na melhor pilotagem, mas também ser-humano que se importa sobre o sofrimento dos outros”, começou a cara divulgada pelo The Guardian.

“Para refletir nosso apoio a você, um novo fenômeno se espalhou na prisão. Os colegas começaram a desenhar Sir 44 ou Lewis 44 em suas roupas que usam para mostrar apoio enquanto assistem as corridas”, continuou.

“Sou um homem livre apesar de minhas algemas e as paredes da prisão. As paredes de cimento na prisão não me param de expor os abusos aos direitos humanos que sofremos aqui. Os prisioneiros te enxergam não apenas como um campeão mundial, mas como alguém que defende seus direitos”, seguiu.

“Eu, junto com meus companheiros de cela, desejamos a melhor corrida no Bahrein. Por favor se lembre que você tem apoiadores na prisão que irão segui-lo e torcer por você em todas suas corridas”, completou.

Alhajee explicou que foi torturado durante seu interrogatório e sentenciado a dez anos de reclusão por organizar protestos pacíficos em Manama, capital do Bahrein.