“Não tem a menor chance” de teto orçamentário funcionar na F1, diz Di Grassi

A Fórmula 1, enfim, chegou a um acordo para uma redução de custos no esporte. O teto orçamentário de US$ 145 milhões começa a valer em 2021, depois de sofrer uma redução de US$ 30 mi com a pandemia do coronavírus. Inicialmente, o teto seria fixado em US$ 175 mi. Ross Brawn, diretor esportivo da F1, confirmou as informações nesta segunda-feira (04) e espera que o teto continue regredindo à medida que as equipes menores possam novamente ocupar o pódio. Mas para Lucas Di Grassi, piloto da Fórmula E, esse controle de custo “não tem a menor chance de funcionar”, enquanto a F1 segue com custos elevadíssimos principalmente em Pesquisa e Desenvolvimento, com o mundo caminhando para uma eletrificação de sua frota de veículos.

Falando ao podcast do Lito Cavalcanti, Di Grassi foi enfático em cravar que um limite de custos não funcionará na Fórmula 1 e que o esporte precisar balancear suas metas entre entretenimento, custos e desenvolvimentos.

“Não tem a menor chance de um controle de custo funcionar na Fórmula 1. A Fórmula 1 perdeu o balanço entre os três pontos principais. Você precisa balancear três pontos importantes. Você precisa balancear o entretenimento daquela categoria e isso significa o quão competitivos são os carros pra você gerar disputa de campeonato – se você tem uma pessoa que sempre ganha fica sem sentido nenhum”, disse Di Grassi.

“Você precisa balancear, em segundo, os custos da categoria. Então se começa a ficar muito caro, se o entretenimento é baixo, não fecha a conta pro patrocinador. O patrocinador não vai pagar 10 milhões por um lado de um carro porque não tem entretenimento.

“E o terceiro ponto, o mais importante, é o Research and Development, Pesquisa e Desenvolvimento, para as montadoras. Se você sobe muito a Pesquisa e Desenvolvimento, sobe muito o preço e o entretenimento cai. Então esse balanço fino entre esses três pontos principais precisa fazer sentido em qualquer categoria do automobilismo mundial, seja Stock Car, seja Fórmula E, seja Fórmula 1.”

Com custos ultrapassando um bilhão de dólares, os motores da F1 podem se tornar algo obsoleto no futuro próximo, com medidas para impedir a comercialização de veículos poluidores na pauta de diversos países. Por anos, a F1 produziu tecnologias que são vistas nos carros de rua, mas isso tende a ter um fim.

“A Fórmula 1 perdeu a capacidade de fazer um ‘R & D’ por preço, por custo, adequado. Pra você fazer um motor de Fórmula 1 custa um bilhão de dólares e hoje as montadoras já estão em uma situação difícil já que estão com um programa de eletrificação das suas tecnologias. Então quem vai investir um bilhão de dólares para desenvolver um motor que não vai ser usado no futuro em carro comercial?”, indaga Di Grassi.

A Fórmula 1 se tornou o esporte mais caro do mundo durante a era Bernie Ecclestone. A Liberty Media, atual detentora dos direitos da F1, chegou com uma visão diferente e a meta sempre foi impor um limite de custos, enquanto trabalham outros aspectos do esporte como as redes sociais – que aproximaram os fãs da categoria. Dada sua grandeza, Di Grassi entende que a Fórmula 1 precisa diminuir de tamanho e focar em outras tecnologias, além de padronizar peças no sentido de reduzir os custos com desenvolvimentos.

“As regras da Fórmula 1 foram se adaptando nos anos 60, 70, 80, 90, 2000, 2010, conforme as coisas foram passando, mas ela é uma empresa muito grande que precisa fazer um downsize, que é muito mais difícil que na Fórmula E, que começou do zero e escreveu as regras ali muito mais fáceis do que diminuir algo daquele tamanho”, disse Di Grassi.

“Então, ou a Fórmula 1 acha regras mais inteligentes para manter a competitividade, manter o entretenimento e atrair as montadores, ou simplesmente esquecem a parte de desenvolvimento de produtos comerciais e focar em outra tecnologias, materiais inteligentes, matérias extremos, outros tipos de desenvolvimento de tecnologias e começam a padronizar uma série de coisas para diminuir o custo.”

Uma das maiores reclamações dos fãs de F1 é o desnivelamento do grid – que sempre esteve presente na categoria e até de forma mais acentuada. Para Di Grassi, a Fórmula 1 precisa “desconectar investimento com a performance” e precisa ser “mais inteligente” para atingir esse objetivo.

“Outra coisa importante, desconectar investimento com a performance. Esse é um exercício que a gente faz na Fórmula E o tempo todo. Tanto que na Fórmula E você pode até falar ‘como que uma equipe como a Techeetah anda na frente de uma equipe como a Porsche’. Bom, porque a gente desconectou da Fórmula E custo com performance. Na Fórmula E, limitamos o número de pessoas, limitamos as áreas onde podemos fazer desenvolvimentos. Então você precisa ser mais inteligente, não é só comprar um túnel de vento muito maior, não é só chamar mais gente pra trabalhar pra ter mais performance. Se você descorrelacionar esses dois pontos, investimento e performance, você baixa o custo.

“Uma equipe que está gastando 60, 70 milhões, começa vencer provas de uma equipe que estão gastando 400. Daí a equipe que está gastando 400 fala ‘ué, mas eu posso gastar menos e também vencer corridas?’ e aí começa uma espiral positiva para redução de custos, que não é a situação da Fórmula 1. Então um ‘cost control’ (controle de custos) não funciona, não funciona no nível governamental, não funciona do nível de Formula 1 e não vai funcionar esse exercício da Fórmula 1. E é muito ruim nesse momento em que estamos passando por uma crise – a Fórmula 1 já estava em uma certa crise – o coronavírus veio e atrapalhou ainda mais o mundo do motorsport, em uma categoria que já estava com poucas montadoras e com custo muito alto. Então assim, vai ser muito complicado essa volta, essa dinâmica, e eu acho que essas atitudes que estão tendo lá são erradas no sentido de fazer o campeonato.”

 

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