Sistema criado para ajudar fabricantes em desvantagem técnica poderá liberar atualizações extras em áreas importantes das unidades de potência, incluindo motor térmico, bateria e MGU-K
A FIA está próxima de concluir a análise que definirá quais fabricantes de unidades de potência terão acesso ao sistema ADUO (Aerodynamic and Power Unit Development Opportunity), mecanismo criado para reduzir eventuais diferenças de desempenho na nova era de motores da Fórmula 1.
A avaliação leva em consideração o desempenho médio registrado nas cinco primeiras etapas da temporada 2026. Para cada fabricante, a FIA utiliza como referência os resultados da melhor equipe equipada com aquela unidade de potência, seja ela oficial ou cliente. A comunicação oficial dos beneficiados deve ocorrer até 15 dias após o GP do Canadá.
Embora o motor de combustão interna (ICE) seja o principal parâmetro utilizado para determinar quem terá acesso ao benefício, o ADUO permite atualizações em uma ampla gama de componentes da unidade de potência. As permissões estão detalhadas na Tabela 1 do Apêndice C4 do Regulamento Técnico da FIA para 2026.
O sistema foi criado para evitar que um fabricante fique preso durante anos a uma unidade de potência claramente inferior, algo que se tornou uma preocupação relevante diante da nova geração de motores, que passou a dividir a potência de forma praticamente equilibrada entre o motor térmico e o sistema elétrico.
O ADUO não representa liberdade total para reprojetar uma unidade de potência, mas concede ferramentas adicionais para acelerar a recuperação de desempenho de fabricantes que estejam significativamente atrás da concorrência.
O que um fabricante com ADUO poderá atualizar?
– Bloco do motor de combustão interna (ICE)
– Componentes internos do motor térmico
– Sistemas de circulação de óleo
– Sistemas de circulação de água
– MGU-K
– Bateria
– Sistemas de recuperação de energia (ERS)
– Eletrônica de controle da unidade de potência
– Sistemas hidráulicos permitidos pelo regulamento
– Fluidos e determinados elementos de lastro
O que continua liberado para todos os fabricantes?
– Turbocompressor
– Plenum (é uma câmara ou reservatório de ar vedado localizado acima do motor, logo após a entrada de ar principal)
– Sistemas de admissão
– Algumas áreas específicas da unidade híbrida previstas no regulamento
O que continua congelado para todos?
– Bomba de combustível de alta pressão
– Sensores padronizados pela FIA
– Componentes classificados como Standard Parts
– Itens expressamente bloqueados pelo regulamento técnico
As possibilidades estão detalhadas no Apêndice C4 do Regulamento Técnico da FIA e abrangem tanto o conjunto térmico quanto o sistema híbrido.
A parte elétrica é apontada por engenheiros como uma das áreas mais importantes do regulamento atual. Por isso, a possibilidade de desenvolver livremente componentes como bateria, ERS e MGU-K pode representar um ganho significativo para fabricantes que precisem recuperar competitividade.
Outra característica importante do sistema é que os fabricantes beneficiados podem receber uma ou duas homologações adicionais entre 2026 e 2027. Isso permite que um pacote de atualizações seja introduzido ao longo do ciclo regulamentar sem a necessidade de aguardar futuras mudanças de regras.
Ainda assim, o fator tempo continua sendo determinante. Desenvolver, produzir, validar e homologar novos componentes de motor é um processo muito mais complexo do que criar atualizações aerodinâmicas. Quanto maior for a ambição do pacote de desenvolvimento, maior será o investimento necessário e mais tempo será exigido para colocá-lo em uso.
O regulamento também determina que qualquer atualização introduzida por um fabricante deve ser disponibilizada simultaneamente para todas as equipes clientes que utilizam aquela unidade de potência. Caso a implementação exija alterações significativas no chassi ou em sistemas auxiliares do carro, os times clientes poderão solicitar à FIA um prazo adicional para adaptação.
Além da liberdade técnica, o ADUO também prevê flexibilizações no orçamento destinado ao desenvolvimento de motores e no tempo disponível para testes em bancada. No entanto, esses recursos extras não representam uma vantagem permanente. O sistema funciona como uma antecipação de investimento, que posteriormente será compensada dentro dos limites orçamentários futuros.
Na visão da FIA, o objetivo é criar um mecanismo de equilíbrio sem eliminar a competição tecnológica entre os fabricantes. O período em que montadoras podiam gastar dezenas de milhões de dólares para redesenhar completamente seus motores ficou no passado, mas o ADUO surge como uma ferramenta para evitar que diferenças excessivas comprometam o equilíbrio da categoria durante toda a vigência do regulamento.
Com a decisão se aproximando, cresce a expectativa no paddock para saber quais fabricantes receberão os benefícios e como isso poderá influenciar a evolução da disputa técnica na Fórmula 1 nos próximos anos.
