FIA detalha avanços para 2026 em reunião decisiva da Comissão da F1

Comissão da F1 detalha avanços finais para 2026 e abre debates sobre pneus, pintura, números e segurança dos pilotos

A Comissão da Fórmula 1 realizou nesta sexta-feira, 14 de novembro, em Londres, sua última reunião de 202. Um encontro especialmente relevante por consolidar ajustes finais do conjunto de regulamentos que dará forma à nova era da categoria a partir de 2026. Liderado por Nikolas Tombazis, diretor de Monopostos da FIA, e Stefano Domenicali, presidente e CEO da FOM, o encontro funcionou como uma revisão geral e também como uma plataforma para discussões estratégicas que continuarão ao longo do próximo ciclo competitivo.

O ponto central da reunião foi a conclusão dos refinamentos técnicos, esportivos, financeiros e operacionais da Fórmula 1 para 2026. O pacote original, que já previa carros menores, mais econômicos, com aerodinâmica ativa e um sistema híbrido muito mais potente, passou por uma revisão detalhada baseada em simulações, alinhamentos de interpretação técnica e ajustes finos solicitados pelas equipes. Todo esse conjunto atualizado será oficialmente encaminhado ao Conselho Mundial de Automobilismo (WMSC) no dia 10 de dezembro, quando deve receber aprovação definitiva. A nova geração da F1 se aproxima, agora com um regulamento mais claro e preparado para suportar a transição para carros mais sustentáveis e dinâmicos.

Debate sobre dois pit stops obrigatórios e a vida útil dos pneus
A proposta de tornar obrigatórios dois pit stops por corrida foi um dos temas mais extensamente debatidos, sem que um consenso fosse alcançado. A FIA apresentou estudos e simulações feitas em parceria com a Pirelli, analisando o comportamento dos pneus atuais, a janela estratégica em condições reais e os impactos que uma regra mais rígida pode ter no espetáculo. O entendimento geral foi de que a complexidade técnica do novo regulamento exige cautela, e por isso a mudança não foi aprovada. As conversas continuarão ao longo da temporada 2026, permitindo que as equipes avaliem o comportamento dos novos compostos em situação real de corrida antes de qualquer mudança mais radical.

O debate também incluiu a possibilidade de ajustes nas especificações dos pneus, revisões na durabilidade máxima permitida e a eventual obrigação de usar os três compostos durante uma prova. Todos esses elementos serão reavaliados com base no desempenho dos carros de nova geração.

FIA logo
Foto: XPB Images

Atualização das regras de testes aerodinâmicos
A Comissão também avançou na modernização das restrições de testes aerodinâmicos (ATR), um tema que acompanha a evolução tecnológica da categoria. O uso crescente de simulações digitais, inteligência artificial e modelos avançados de CFD motivou a FIA a reavaliar o equilíbrio entre túnel de vento e ferramentas computacionais. A intenção é redesenhar a forma como as equipes podem testar e desenvolver aerodinâmica, garantindo que o sistema reflita a realidade atual sem comprometer o equilíbrio competitivo imposto pelo teto orçamentário. O objetivo final é tornar o processo mais eficiente, moderno e sustentável, sem deixar de considerar a capacidade de investimento das equipes menores.

FIA limita área de fibra de carbono exposta e exige carros mais identificáveis
Um dos pontos mais concretos da reunião foi a aprovação da regra que estabelece um mínimo de 55% da superfície visível dos carros pintada ou coberta por adesivos. A decisão nasce da sensação generalizada de que a Fórmula 1 havia perdido parte de sua identidade visual nos últimos anos, com carros excessivamente escuros e difíceis de distinguir nas arquibancadas e na transmissão. A nova exigência busca reforçar a personalidade individual de cada equipe e melhorar a experiência visual dos torcedores, além de evitar que a busca por alívio de peso reduza as pinturas ao mínimo necessário.

Pilotos poderão mudar seus números durante a carreira
Outro assunto que recebeu encaminhamento foi a flexibilização da regra dos números permanentes. Em vigor desde 2014, a norma atual obriga cada piloto a manter o mesmo número durante toda sua carreira na F1. A Comissão concordou que essa rigidez já não acompanha a dinâmica contemporânea do esporte, e decidiu que pilotos poderão alterar seus números ao longo da carreira. A FIA ainda decidirá como isso será estruturado — se haverá limites de frequência, critérios específicos ou prazos definidos — mas o princípio está aprovado.

Sistema de resfriamento dos pilotos será reavaliado com urgência
A discussão sobre o Driving Cooling System (DCS), o sistema de resfriamento dos pilotos, ganhou destaque após episódios de calor extremo em GPs como Catar e Las Vegas. A FIA apresentou propostas de redesign do sistema, incluindo novos tipos de coletes, soluções de ventilação e a sugestão de um aumento no peso mínimo dos carros para que as equipes possam integrar o DCS sem prejuízos de performance. O tema agora será levado diretamente à GPDA para coleta de feedback dos pilotos, que devem orientar a decisão final sobre tornar ou não o DCS obrigatório em 2026.