A Fórmula 1 implementou um novo fator de equilíbrio nesta temporada, mas Toto Wolff fez um alerta direto à FIA. O chefe da Mercedes pediu cautela na aplicação da nova regra que permite auxílio extra a fabricantes de unidade de potência com desempenho abaixo do esperado.
Essa medida, chamada de ADUO, Additional Development and Upgrade Opportunities, foi introduzida pela FIA este ano com o objetivo de evitar que algum fabricante fique muito atrás dos concorrentes. No entanto, Wolff teme que o mecanismo possa alterar o equilíbrio competitivo se não for aplicado com critérios claros.
Segundo o dirigente, o sistema foi criado para permitir que equipes em desvantagem se aproximem dos concorrentes, mas não para ultrapassá-los: “O princípio do ADUO foi permitir que equipes que estavam atrás em termos de unidade de potência, pudessem alcançar as outras, mas não ultrapassá-las”, afirmou Wolff.
A FIA pretende utilizar dados de desempenho para determinar quem terá direito ao auxílio. A primeira análise está prevista após a sexta etapa da temporada, com novas avaliações programadas após as rodadas doze e dezoito do campeonato.
Com a Mercedes sendo considerada a referência no início deste ano, outras equipes já estariam pressionando para obter autorização para usar o sistema. Entre elas, a Ferrari, que apresentou desafios iniciais à Mercedes nas corridas da Austrália e da China.

Wolff destacou que decisões equivocadas podem impactar diretamente o campeonato: “Qualquer decisão pode ter grande impacto no cenário de desempenho e no campeonato, se não for feita com absoluta precisão, clareza e transparência”, disse ele, reforçando que o sistema não deve abrir espaço para manobras estratégicas.
O chefe da Mercedes também destacou que a aplicação do ADUO deve seguir o espírito original da regra: “Precisa ficar claro que não há espaço para jogos aqui. A FIA deve agir com o espírito correto ao aplicar o ADUO, e as equipes terão suas próprias avaliações de desempenho”, acrescentou.
Entre os fabricantes, o que mais enfrentou dificuldades no início da temporada foi a Honda. Wolff reconheceu que a marca japonesa poderia se enquadrar nos critérios, mas questionou pedidos de outros concorrentes.
“Pelo que parece, há um fabricante de motores com problema e precisamos ajudar, enquanto os demais estão praticamente no mesmo nível. Ficaria muito surpreso e decepcionado se decisões do ADUO interferissem na ordem competitiva atual”, finalizou Wolff.
