F1: Wolff apoia volta dos V8, mas mantendo motor híbrido

A possível volta dos motores V8 à Fórmula 1 ganhou ainda mais força após o GP de Miami, e a Mercedes já apresentou uma visão ambiciosa para o futuro da categoria. O chefe da Mercedes, Toto Wolff, afirmou que a equipe alemã está aberta ao retorno dos motores aspirados, mas defendeu uma combinação com forte componente elétrico para manter a conexão tecnológica com o mundo atual.

O tema voltou ao centro das atenções depois que o presidente da FIA, Mohammed Ben Sulayem, indicou 2031 como possível prazo para a reintrodução dos V8 na categoria. A declaração gerou entusiasmo entre fãs e também entre pilotos, especialmente em um momento em que os atuais regulamentos das unidades de potência seguem dividindo opiniões no paddock.

Durante o fim de semana em Miami, a Fórmula 1 promoveu ajustes nas regras previstas para os próximos motores, tentando reduzir as críticas em torno do novo regulamento. Mesmo assim, muitos nomes importantes da categoria continuam demonstrando preferência por conceitos mais tradicionais de motorização.

Lando Norris foi um dos que comentou o assunto após a corrida. Apesar de considerar as mudanças recentes um avanço, o piloto da McLaren deixou clara sua preferência por uma solução mais simples: “Apenas se livrem da bateria. Espero que em alguns anos seja esse o caso”, afirmou o britânico.

Wolff, por outro lado, adotou uma abordagem diferente. O chefe da Mercedes disse que a fabricante alemã mantém boas lembranças da era dos V8, e destacou que a equipe estaria pronta para participar de uma nova geração de motores, desde que exista planejamento e equilíbrio tecnológico.

Andrea Kimi Antonelli (ITA) Mercedes AMG Formula One Team W17.
Foto: XPB Images

“Do ponto de vista da Mercedes, estamos abertos a novos regulamentos de motores. Nós amamos os V8, isso traz ótimas lembranças e, da nossa perspectiva, é um motor puramente Mercedes”, afirmou o dirigente. Ele também alertou para o risco de a Fórmula 1 perder relevância tecnológica caso abandone totalmente a eletrificação.

Segundo Wolff, a solução ideal seria criar um ‘mega-motor’, combinando potência do motor a combustão com uma parte elétrica ainda significativa: “Talvez possamos extrair 800 cavalos do motor a combustão e adicionar mais 400 da energia elétrica, ou até mais. Estamos totalmente dispostos a isso, desde que as discussões aconteçam de forma estruturada e que as considerações de todos sejam levadas em conta”, acrescentou.

O austríaco ainda reconheceu as dificuldades financeiras enfrentadas pelas montadoras atualmente, mas reforçou que a Mercedes apoiaria o projeto caso ele fosse bem executado: “Se isso for bem planejado e executado, contem com a Mercedes para voltar com um verdadeiro motor de corrida”, finalizou Wolff.